A expectativa de que o governo do presidente Donald Trump anuncie ainda nesta semana novas tarifas sobre produtos brasileiros acendeu um sinal de alerta entre exportadores e entidades empresariais. A medida poderá elevar em até 37,5% a taxação de mais de 4 mil produtos brasileiros vendidos ao mercado norte-americano, reduzindo a competitividade da indústria nacional.
O cenário em análise pelo governo dos Estados Unidos prevê uma tarifa adicional de 25%, baseada na chamada Seção 301 da legislação comercial norte-americana, somada a mais 12,5% para produtos enquadrados em investigações relacionadas ao combate ao trabalho forçado. A decisão final cabe ao presidente Donald Trump e poderá ser anunciada a partir de 15 de julho.
Entidades pedem negociação
A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Amcham Brasil e a Câmara de Comércio dos Estados Unidos divulgaram uma carta conjunta defendendo uma negociação estruturada entre os dois governos para evitar a imposição das novas tarifas.
Na avaliação das entidades, a medida prejudicaria cadeias produtivas dos dois países, aumentaria custos para empresas e consumidores e comprometeria uma relação comercial construída ao longo de décadas.
Santa Catarina amplia mercados
Em Santa Catarina, a possível ampliação das tarifas reforça um movimento que já vem sendo adotado pela indústria estadual desde as primeiras medidas protecionistas implementadas pelos Estados Unidos.
A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) tem incentivado empresas a reduzir a dependência do mercado americano por meio da abertura de novos mercados internacionais. União Europeia e Oriente Médio aparecem entre os principais destinos prospectados pelas empresas catarinenses.
Segundo a presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesc, Maitê Bustamante, os exportadores continuam negociando com os Estados Unidos, mas estão cada vez menos dependentes daquele mercado.
Exportações seguem crescendo
Apesar das incertezas no comércio internacional, Santa Catarina manteve desempenho positivo no primeiro semestre de 2026.
As exportações catarinenses alcançaram US$ 6,13 bilhões, crescimento de 4,3% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado é atribuído justamente à diversificação de mercados promovida pelas empresas do Estado, estratégia que ajuda a reduzir os impactos de eventuais barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.
Impactos podem ser significativos
Caso o tarifaço seja confirmado, milhares de produtos brasileiros poderão perder competitividade no mercado norte-americano, obrigando empresas a acelerar a busca por novos compradores em outros países.
Para especialistas, o momento exige cautela e intensificação das negociações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, enquanto o setor produtivo aposta na diversificação das exportações como principal alternativa para enfrentar um cenário de maior protecionismo comercial.






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