Um olhar mais apurado sobre a pesquisa BTG/Nexus: os 27% que podem decidir a eleição

A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira trouxe um dado que talvez seja mais importante do que a própria diferença de seis pontos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro na corrida presidencial. Lula aparece com 40% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro soma 34%.


Um olhar mais apurado sobre o levantamento revela um indicador que pode influenciar decisivamente os rumos da eleição de 2026.

 

Quando os entrevistados foram questionados sobre o perfil de candidato que preferem, 36% responderam que gostariam de um nome apoiado por Lula. Outros 32% disseram preferir um candidato apoiado por Jair Bolsonaro. O dado mais relevante, porém, está nos 27% que afirmaram desejar um candidato que não esteja ligado nem ao presidente nem ao ex-presidente.


Esse grupo representa praticamente um terço do eleitorado brasileiro


É justamente aí que pode estar o verdadeiro campo de batalha da eleição presidencial.


Os eleitores mais identificados com Lula tendem a permanecer ao lado do presidente. Da mesma forma, o núcleo bolsonarista dificilmente abandonará o candidato apoiado por Jair Bolsonaro. A grande disputa tende a ocorrer entre aqueles que demonstram cansaço da polarização e procuram uma alternativa. A pesquisa mostra que esse espaço existe, embora não indique quem conseguirá ocupá-lo.


Essa leitura ajuda a compreender também o cenário catarinense

 

O governador Jorginho Mello construiu sua trajetória política fortemente identificada com Jair Bolsonaro. Gelson Merisio, por sua vez, busca liderar uma frente de esquerda alinhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Entre esses dois polos está João Rodrigues. O ex-prefeito de Chapecó procura construir uma candidatura de direita, ao lado de dois pré-candidatos ao Senado igualmente identificados com esse campo político — Esperidião Amin e Antídio Lunelli —, mas buscando apresentar uma identidade própria e ampliar seu diálogo para além do eleitorado bolsonarista.

 

A pesquisa da BTG/Nexus não aponta quem conquistará esses 27%. Mas deixa um recado importante: existe um contingente expressivo de brasileiros procurando um caminho fora da polarização. Em Santa Catarina, compreender esse eleitor pode ser um diferencial importante na disputa pelo Governo do Estado.