Repercussão nacional do caso envolvendo Cleiton Profeta coloca pressão sobre a aproximação entre as duas siglas, que negociam espaço na chapa liderada por Jorginho Mello para a eleição de 2026.
A cassação do mandato do vereador Cleiton Profeta (PL), de Joinville, deixou de ser um episódio restrito à política municipal e passou a produzir reflexos diretos no cenário eleitoral catarinense. A repercussão nacional do caso, impulsionada por lideranças ligadas ao bolsonarismo, ampliou o desgaste entre PL e Novo justamente no momento em que as duas siglas buscam consolidar uma aliança para a disputa estadual de 2026.
O caso ganhou grande visibilidade nesta segunda-feira (15) após manifestações de figuras influentes da direita brasileira nas redes sociais. Entre elas, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que criticou duramente a atuação de vereadores do Novo na votação que resultou na perda do mandato de Profeta.
Em publicação na rede X, Eduardo Bolsonaro afirmou que “Novo, PT e MBL” teriam atuado juntos para cassar um vereador do PL. A postagem rapidamente repercutiu entre apoiadores do bolsonarismo e trouxe o debate de Joinville para o centro das discussões políticas nacionais.
Antes dele, o influenciador conservador Kim Paim também havia abordado o assunto, ampliando a repercussão do caso entre setores da direita.
O ponto central da crise não está propriamente na cassação do vereador, mas nos reflexos políticos que o episódio passa a gerar na relação entre PL e Novo. Em Santa Catarina, as duas siglas vêm construindo uma aproximação estratégica com vistas às eleições de 2026.
O governador Jorginho Mello (PL), que deverá disputar a reeleição, tem no ex-prefeito de Joinville Adriano Silva a principal ponte com o Novo catarinense. Nos bastidores, Adriano é apontado como um dos nomes cotados para compor a chapa majoritária governista, inclusive ocupando a vaga de vice-governador.
A repercussão nacional do episódio cria um ambiente de desconforto para essa construção política. Isso porque setores ligados ao bolsonarismo passaram a associar diretamente o Novo à cassação de um parlamentar do PL, alimentando críticas que podem dificultar a convivência entre as duas legendas.
A situação também ocorre em um momento de tensão entre lideranças nacionais do Novo e segmentos mais identificados com o bolsonarismo. Embora essa disputa tenha ganhado contornos nacionais, seus efeitos acabam chegando a Santa Catarina, onde a aliança entre os dois partidos é considerada estratégica para o projeto eleitoral do governador.
Na Câmara de Joinville, a cassação de Cleiton Profeta foi aprovada por ampla maioria. Vereadores de diferentes partidos votaram favoravelmente ao processo, incluindo parlamentares do Novo. O resultado serviu de combustível para a narrativa construída nas redes sociais por lideranças do PL, que passaram a apontar uma aproximação entre adversários ideológicos para retirar o mandato do vereador.





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