Candidato do Avante falou em cortar ministérios, criar uma pasta exclusiva para Segurança Pública, convidar Ronaldo Caiado para comandá-la e criar estrutura voltada à inteligência artificial e robótica
A última entrevista da série de sabatinas do Jornal Nacional com os candidatos à Presidência da República terminou com um roteiro diferente daquele observado em boa parte da semana.
Entrevistado neste sábado (29), Augusto Cury (Avante) apresentou uma série de propostas para um eventual governo e acabou protagonizando uma conversa mais voltada a projetos e ideias para o país.
Nas entrevistas anteriores, especialmente com Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), boa parte do tempo foi consumida pelo confronto entre entrevistadores e candidatos, pela cobrança sobre declarações, governos, alianças e episódios políticos.
O resultado foram sabatinas marcadas muito mais pelo embate do que pelo aprofundamento das propostas de governo.
Renan Santos (Missão), por sua vez, representa uma candidatura de perfil diferente. Aos 42 anos e disputando pela primeira vez a Presidência, buscou apresentar-se como renovação diante dos nomes mais conhecidos da política nacional.
Foi justamente na entrevista de Augusto Cury que algumas propostas mais específicas ganharam espaço.
Caiado como “xerife do Brasil”
Uma das declarações de maior repercussão foi a defesa da criação de um Ministério da Segurança Pública, separado do atual Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Cury afirmou que convidaria inclusive um adversário na disputa presidencial, Ronaldo Caiado (PSD), para assumir a pasta.
“Eu brinquei com Caiado que, se eu criar o ministério, ele seria o xerife do Brasil”, afirmou.
A ideia já havia sido mencionada pelo candidato durante o debate presidencial realizado pela Band.
Cortar até dez ministérios
Ao mesmo tempo em que pretende criar uma pasta específica para a Segurança Pública, Augusto Cury afirmou que seu projeto prevê uma redução significativa da estrutura ministerial.
Segundo ele, seria possível cortar entre oito e dez ministérios. O candidato, entretanto, não detalhou durante a entrevista quais pastas seriam extintas ou incorporadas.
Em outra entrevista durante a campanha, Cury também falou em reduzir pelo menos 15 mil cargos comissionados da estrutura federal.
Inteligência Artificial dentro do governo
Outra proposta apresentada foi a criação de uma Secretaria Executiva de Inteligência Artificial e Robótica.
Para Cury, mesmo com a redução do número total de ministérios, algumas áreas precisam ganhar espaço dentro da estrutura federal.
“Vamos cortar ministérios, mas temos que criar uma Secretaria Executiva de Inteligência Artificial e Robótica. Em algumas áreas temos que aumentar de maneira urgente”, afirmou.
A proposta acompanha uma das bandeiras apresentadas pelo candidato durante a campanha: ampliar a formação de profissionais e a utilização de inteligência artificial e robótica em setores como educação, saúde, segurança e administração pública.
Uma entrevista diferente das demais
Augusto Cury também apresentou propostas relacionadas à saúde mental, educação, funcionamento das instituições e organização do Estado.
Independentemente da viabilidade ou da concordância com suas ideias, a entrevista acabou permitindo ao eleitor conhecer com maior clareza aquilo que o candidato pretende fazer caso seja eleito.
E talvez esteja aí a principal diferença em relação a boa parte das sabatinas realizadas durante a semana.
Quando o confronto político ocupou menos espaço, sobrou mais tempo para aquilo que deveria estar no centro de uma campanha presidencial: discutir propostas, prioridades e caminhos para o país.





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