Deputada já pediu primeiro voto para Carlos Bolsonaro e o segundo para ela; agora, publicação de Carlos sem o número de Carol chama atenção nos bastidores da disputa pelo Senado
A relação eleitoral entre Caroline de Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL) começa a produzir sinais que merecem atenção na corrida pelas duas vagas ao Senado em Santa Catarina.
Na Página Quatro, já levantamos uma questão que tende a acompanhar Carol durante toda a campanha: até onde a estratégia de colocar Carlos Bolsonaro como prioridade pode ajudá-la — e em que momento ela corre o risco de ser engolida eleitoralmente pelo próprio companheiro de chapa?
Recentemente, Carol divulgou material nas redes sociais orientando seus apoiadores a dar o primeiro voto para Carlos Bolsonaro e o segundo para ela própria. A estratégia chamou atenção justamente porque os dois disputam as mesmas duas vagas e estão inseridos praticamente no mesmo campo eleitoral.
Agora, um novo episódio acrescenta ruído à relação
Conforme registro publicado na imprensa catarinense, Carlos Bolsonaro divulgou nas redes sociais material sobre o início de sua campanha no qual apresentou nomes e números eleitorais do irmão Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, do governador Jorginho Mello (PL) e dele próprio.
O número de Caroline de Toni, sua companheira de chapa ao Senado, ficou de fora.
Isoladamente, a ausência poderia ser tratada apenas como um detalhe de comunicação. Dentro do contexto da disputa catarinense, porém, ganha outra dimensão.
Carol ajuda Carlos, mas precisa cuidar da própria candidatura
A matemática eleitoral ajuda a explicar o problema.
Na Quaest divulgada nesta semana, Esperidião Amin (PP) apareceu com 19%, Carlos Bolsonaro com 16% e Caroline de Toni com 12% na disputa pelo Senado.
Já a Neokemp apresentou cenário diferente: Carol apareceu com 25,5% na intenção de primeiro voto, Carlos com 24,2% e Amin com 16%.
Ou seja: a disputa pelas duas vagas permanece aberta e Carlos e Carol concorrem diretamente por praticamente o mesmo eleitor.
Esse é justamente o ponto delicado da estratégia adotada pela deputada.
Carol vem fazendo sua parte para consolidar a dobradinha. Além de pedir primeiro voto para Carlos, tem procurado demonstrar publicamente unidade com o candidato trazido do Rio de Janeiro para disputar o Senado por Santa Catarina.
Do outro lado, entretanto, começam a surgir episódios que alimentam dúvidas sobre até onde haverá reciprocidade nessa estratégia.
Ruído não começou agora
A tensão em torno das duas candidaturas vem de antes da campanha.
Em abril, quando uma pesquisa AtlasIntel mostrou Carol com 30,7%, Amin com 20,1% e Carlos com 18,3%, a deputada chegou a ser alvo de ataques dentro do próprio campo da direita, sob acusações de que não estaria ajudando suficientemente a candidatura de Carlos.
Mais recentemente, as divergências internas ficaram ainda mais evidentes. Ana Campagnolo (PL), por exemplo, já demonstrou publicamente resistência à candidatura de Carlos Bolsonaro.
Portanto, a fotografia de unidade apresentada oficialmente pelo PL convive com uma disputa bastante mais complexa nos bastidores.
Para Caroline de Toni, o desafio é especialmente sensível. Ela precisa ajudar Carlos sem permitir que a candidatura de Carlos passe a ocupar todo o espaço eleitoral do bolsonarismo catarinense.
E o episódio do material divulgado sem o número da própria companheira de chapa, embora pequeno isoladamente, acrescenta mais um sinal de alerta.
A campanha está apenas começando. Mas aquilo que inicialmente parecia uma simples dobradinha eleitoral começa a mostrar que Carol e Carlos são aliados na chapa — e concorrentes na urna.





Recebe nossa publicações direto no seu email!