Distanciamento entre a estrutura da universidade em Mafra e a comunidade regional preocupa em um momento de redução de cursos e alunos e avanço de outras instituições de ensino superior
Escrevo isso com um grande sentimento, muito mais com o propósito de fazer um alerta do que de criticar a Universidade do Contestado.
A UNC tem uma história importante em Concórdia e em toda a região da AMAUC. Formou milhares de profissionais, ajudou a transformar a realidade regional e, durante muitos anos, esteve muito mais próxima das entidades, das empresas e da própria comunidade.
Bons tempos aqueles em que essa proximidade era percebida no dia a dia.
Talvez justamente por reconhecer a importância da Universidade do Contestado seja ainda mais preocupante observar o que vem acontecendo nos últimos anos.
Nunca a distância entre Concórdia e Mafra pareceu tão grande. E não estou falando dos quilômetros que separam as duas cidades.
É possível observar, inclusive, um esforço muito grande da direção do Campus Concórdia para manter a universidade próxima da comunidade e preservar os vínculos construídos ao longo de décadas. O problema, ao que tudo indica, está além dos limites do campus.
Conversar com determinados setores da estrutura da universidade em Mafra tornou-se uma tarefa cada vez mais difícil. A dificuldade é tamanha que custa imaginar que o próprio reitor da Universidade do Contestado, professor doutor Luciano Bendlin, tenha conhecimento da dimensão desse distanciamento.
E talvez seja importante começar a discutir se esse afastamento institucional não ajuda também a explicar parte do que aconteceu com a UNC em Concórdia.
Uma universidade que encolheu em Concórdia
Quem acompanhou a trajetória da UNC sabe que o Campus Concórdia já viveu uma realidade bastante diferente.
Foram tempos de mais cursos, mais alunos e uma presença muito maior da universidade na vida da cidade e da região.
Hoje, a realidade é outra. Houve uma redução significativa na oferta de cursos e também no número de estudantes. A estrutura acadêmica da UNC em Concórdia está muito distante daquela que a comunidade regional conheceu em outros tempos.
Nesse cenário, Medicina passou a exercer um papel fundamental dentro da estrutura local. Informações que circulam nos bastidores apontam que, não fosse o curso, a situação do campus seria ainda mais delicada. Há quem sustente, inclusive, que sua própria manutenção estaria comprometida.
É uma avaliação forte e que deve ser tratada como tal. Mas é impossível ignorar a importância que Medicina adquiriu para a atual realidade da UNC em Concórdia.
O mercado não ficou esperando
Enquanto a Universidade do Contestado encolheu, o mercado de ensino superior de Concórdia e da região continuou se movimentando.
Outras instituições avançaram, novos modelos de ensino ganharam espaço e novos concorrentes chegaram ou ampliaram sua presença na cidade.
Isso deveria acender um enorme sinal de alerta.
A tradição construída pela UNC ao longo de décadas é um patrimônio importante, mas não representa garantia de espaço no futuro. Universidade precisa estar próxima da comunidade, compreender suas demandas, conversar com empresas e entidades e, sobretudo, perceber rapidamente as transformações do mercado.
Caso contrário, outras instituições ocuparão esse espaço.
E, mantida a atual trajetória, existe o risco de a Universidade do Contestado, apesar de toda a sua importância histórica para Concórdia e para a AMAUC, ser gradativamente engolida pela concorrência.
A dificuldade de conversar com Mafra
UNC precisa voltar a estar perto de Concórdia e da AMAUC — e talvez ainda haja tempo para isso
A Página Quatro já havia recebido de outras pessoas relatos sobre dificuldades de interlocução com determinados setores da estrutura da universidade.
Recentemente, tivemos a oportunidade de experimentar essa realidade.
Há dias estamos buscamos estabelecer contato com o setor de Marketing da universidade em Mafra. Mesmo com todo o esforço da direção do Campus Concórdia para auxiliar nessa interlocução, sequer um retorno efetivo conseguimos obter.
Nem mesmo por meio das redes sociais.
Pode parecer um episódio pequeno quando observado isoladamente. Mas, somado a outros sinais, ajuda a dimensionar o distanciamento que hoje existe.
Quando uma instituição regional começa a encontrar dificuldades para conversar justamente com a comunidade na qual está inserida, é preciso observar o que está acontecendo e, principalmente, corrigir o rumo.
Concórdia não pode se transformar apenas em mais um ponto dentro do organograma da Universidade do Contestado.
A UNC faz parte da história desta cidade e desta região. E Concórdia e a AMAUC também ajudaram a construir a história da UNC.
A UNC precisa voltar a estar perto de Concórdia e da AMAUC — e talvez ainda haja tempo para isso.






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