A manifestação foi feita por meio de um vídeo publicado nas redes sociais, no qual Naatz afirma que o partido não pode manter entre seus filiados alguém que, segundo ele, comandou "o governo mais corrupto da história de Blumenau".
A divergência entre os dois, no entanto, não é recente. Ainda quando presidia o diretório municipal do PL, Ivan Naatz já era contrário à filiação de Mário Hildebrandt. A entrada do ex-prefeito na sigla ocorreu por articulação do governador Jorginho Mello (PL), levando Naatz a deixar o comando do partido e concentrar sua atuação no mandato de deputado estadual.
Depois de ingressar no PL, Mário Hildebrandt assumiu a presidência da legenda em Blumenau e teve papel de destaque na eleição municipal de 2024, sendo um dos principais articuladores da candidatura que levou Egídio Ferrari (PL) à Prefeitura.
Nos últimos meses, porém, o cenário político mudou. As recentes operações do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), que investigam contratos e atos da gestão anterior em Blumenau, aumentaram a pressão sobre o ex-prefeito e ampliaram o desgaste dentro do partido.
Embora a administração de Hildebrandt já tivesse sido alvo de outras operações de investigação desde que ele assumiu a Prefeitura, em 2018, até então não havia movimentação pública dentro do PL defendendo sua expulsão.
Além do discurso de combate à corrupção, o movimento também ocorre em um momento de reorganização política para as eleições de 2026.
Mário Hildebrandt lançou sua pré-candidatura a deputado estadual e poderá disputar espaço dentro do próprio PL com Ivan Naatz, que busca a reeleição, e com o deputado estadual Marcos da Rosa, recém-filiado ao partido por convite do governador Jorginho Mello.
Nos bastidores, a avaliação é de que a concentração de três nomes competitivos na mesma legenda pode dificultar a eleição de todos. Hildebrandt chega à disputa com o capital político de ter sido reeleito prefeito em 2020 e de ter conseguido eleger seu sucessor em 2024.
No vídeo divulgado nas redes sociais, Ivan Naatz afirmou que tem sido cobrado por eleitores para se posicionar diante das investigações envolvendo a gestão do ex-prefeito.
"Como é que nós vamos estar no palanque com o sujeito que comandou o governo mais corrupto da nossa história? Olhar para o lado e ver aquele corrupto do meu lado, aquele cara que comandou o governo corrupto da nossa cidade", declarou.
O deputado também afirmou que se sentiu enganado pela postura pública adotada por Hildebrandt.
"O eleitor de Blumenau foi enganado. Aquela turma que reza no domingo e rouba na segunda."
Segundo Naatz, o pedido de expulsão será protocolado ainda nesta semana junto ao diretório municipal do PL. Ele afirma acreditar que terá o apoio da executiva local e disse que espera uma manifestação da direção estadual da sigla.
"Vamos fazer a nossa parte. Vou protocolar o pedido de expulsão porque não quero andar no mesmo lugar onde andam os corruptos", concluiu.






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