Pesquisa MAPA/Jovem Pan é suspensa pelo TRE-SC após indícios de irregularidades

A divulgação da pesquisa eleitoral realizada pelo Instituto MAPA Marketing e Participações, contratada pela Jovem Pan News de Florianópolis para medir a disputa pelo Governo de Santa Catarina e pelo Senado, foi suspensa por decisão liminar do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC).

 

A decisão foi assinada pelo juiz auxiliar Jaime Machado Júnior, que acolheu representação apresentada pelo PSD de Santa Catarina. Na avaliação preliminar do magistrado, há indícios de irregularidades capazes de comprometer a transparência e a confiabilidade do levantamento, justificando a retirada imediata da pesquisa de circulação até uma análise mais aprofundada do caso.

 

Entre os principais problemas apontados está a identificação de locais de entrevista em bairros inexistentes na divisão político-administrativa de municípios como Florianópolis e Balneário Camboriú. Em diversos registros também aparecem informações genéricas, como “Localidade não identificada” e “Não informado/recusa”, o que, segundo a decisão, dificulta a fiscalização da pesquisa por partidos, candidatos e pelo Ministério Público Eleitoral.

 

Outro ponto destacado pelo TRE-SC é uma inconsistência no questionário. O pré-candidato ao Senado Antídio Lunelli (MDB) foi incluído nas perguntas sobre intenção de voto, mas não apareceu na questão referente à rejeição dos candidatos. Para o magistrado, esse tipo de falha pode comprometer a aferição do cenário eleitoral e desvirtuar a finalidade da pesquisa.

 

Na decisão, o juiz também ressaltou que a divulgação de um levantamento com possíveis irregularidades pode influenciar o eleitorado durante a pré-campanha, configurando risco suficiente para justificar a concessão da liminar.

 

Com isso, o TRE-SC determinou a retirada imediata da pesquisa de todos os meios de divulgação, fixando multa em caso de descumprimento da ordem judicial. O Instituto MAPA e a Jovem Pan News terão prazo de dois dias para apresentar defesa. Após essa etapa, o processo será encaminhado à Procuradoria Regional Eleitoral para emissão de parecer antes do julgamento do mérito.

 

Esta é a segunda pesquisa eleitoral suspensa pela Justiça Eleitoral em Santa Catarina em pouco mais de um mês. No caso anterior, envolvendo o Instituto Veritá, foram identificadas inconsistências na composição da amostra, incluindo a utilização de municípios do Maranhão em um levantamento destinado ao eleitorado catarinense.