A visita do ex-governador de Minas Romeu Zema (Novo) a Santa Catarina neste domingo (17) passou a ganhar dimensão muito maior do que uma simples agenda partidária. Depois da reação dura do ex-governador mineiro ao caso envolvendo Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, a passagem dele pelo Estado virou o primeiro grande teste político da nova fase da pré-campanha presidencial do Novo.
Nos bastidores, lideranças do partido admitem que a declaração de Zema classificando o episódio como “imperdoável” abalou a relação entre o Novo e o núcleo bolsonarista mais fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A avaliação é de que Zema que está pré-candidato a presidência pelo NOVO, decidiu iniciar um movimento calculado de afastamento político do bolsonarismo raiz para tentar ocupar um espaço mais ao centro-direita em 2026, mirando eleitores conservadores que demonstram desgaste tanto com Lula quanto com Bolsonaro.
O problema é que Santa Catarina talvez seja justamente o território mais delicado para esse teste político.
Além de ser um dos estados mais bolsonaristas do país, Santa Catarina possui uma particularidade: o Novo integra diretamente o projeto de reeleição do governador Jorginho Mello (PL). O prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), inclusive, já foi anunciado nos bastidores como pré-candidato a vice-governador na futura chapa encabeçada pelo PL.
Só que a crise provocada pelas declarações de Zema começou a gerar ruídos dentro do próprio bolsonarismo catarinense.
Nos bastidores do PL, já há lideranças defendendo uma revisão dessa aliança com o Novo. A deputada federal Julia Zanatta (PL), por exemplo, passou a defender publicamente que Adriano Silva fique fora da composição como vice de Jorginho Mello em 2026.
A avaliação de setores mais ligados ao bolsonarismo raiz é de que o posicionamento de Zema contra Flávio Bolsonaro acabou criando um constrangimento político para lideranças do Novo que hoje tentam manter proximidade simultânea com o eleitorado conservador e com um discurso de independência nacional.
Por isso, a chegada de Zema deve ser acompanhada com atenção tanto pelo PL quanto pelo próprio Novo catarinense.
A expectativa nos bastidores é sobre qual tom o presidenciável adotará nos encontros públicos, entrevistas e agendas políticas. Lideranças locais do Novo trabalham para evitar atritos maiores com o PL estadual, especialmente depois da reação negativa de setores bolsonaristas às críticas feitas por Zema contra Flávio Bolsonaro.
Tanto que Adriano Silva já iniciou um movimento de contenção de danos. Segundo informações de bastidores, o prefeito de Joinville atuou para acalmar os ânimos e preservar a aliança regional entre Novo e PL em Santa Catarina, inclusive recebendo Jorginho Mello para um almoço nesta quinta-feira (14).
A agenda de Zema prevê compromissos em Florianópolis, São José e Palhoça na segunda-feira. Na terça, o roteiro inclui Itapema, Balneário Camboriú, Pomerode e Blumenau.
Nos bastidores da direita catarinense, a avaliação é de que a visita servirá para medir até onde Zema conseguirá avançar nacionalmente sem romper de vez com o eleitorado bolsonarista que ajudou a projetar sua imagem política nos últimos anos.





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