Após desgaste e repercussão negativa, governador Jorginho Mello suspende contrato de R$ 116 milhões para instalação de radares e lombadas eletrônicas em SC

Após a repercussão negativa da contratação de um pacote de R$ 116 milhões para instalação de radares, lombadas eletrônicas e equipamentos de fiscalização nas rodovias estaduais de Santa Catarina, o governador Jorginho Mello (PL) decidiu suspender o contrato que já havia sido assinado pelo Governo do Estado.

 

A decisão ocorre poucos dias após a publicação do contrato no Diário Oficial do Estado (DOE) e da forte reação nas redes sociais e nos bastidores políticos. Segundo informações divulgadas pela coluna de Anderson Silva, do NSC Total, o governador determinou a suspensão de “qualquer contrato do tipo”.

 

Nos bastidores do Centro Administrativo, a avaliação é de que o desgaste político em torno da medida acabou pesando diretamente na decisão do governador, especialmente diante do discurso adotado pelo próprio Jorginho nos últimos meses contra a chamada “indústria da multa”.

 

Ainda na quinta-feira (14), o governador procurou a imprensa para afirmar que não permitiria a implantação de radares tradicionais nas rodovias estaduais e que os equipamentos seriam utilizados apenas para substituir lombadas físicas em frente a escolas localizadas às margens das SCs. Mesmo assim, diante da repercussão, a ordem acabou sendo pela suspensão do contrato.

 

O contrato previa a instalação de radares fixos (pardais) em 12 pontos, lombadas eletrônicas em 230 locais, sistemas de pesagem de veículos em seis pontos e cercas eletrônicas em outros 256 trechos das rodovias estaduais.

 

A licitação foi vencida pelo Consórcio Vias Catarinenses, liderado pela empresa Focalle. O processo vinha sendo conduzido desde o ano passado e levou cerca de sete meses até a assinatura final do contrato.

 

Na publicação original que revelou a contratação, o próprio Governo do Estado confirmou oficialmente que estava em andamento a implantação de um novo sistema de monitoramento voltado à “preservação de vidas, monitoramento e garantia de mais segurança nas rodovias estaduais”.

 

Agora, com a suspensão anunciada pelo governador, o futuro do contrato passa a ser incerto. A decisão também abre um novo debate político dentro do próprio governo: até que ponto medidas técnicas de fiscalização conseguem sobreviver ao desgaste político provocado pela repercussão pública e pelas redes sociais?