Educação em alerta: Santa Catarina não atinge meta de alfabetização e mais de 24 mil crianças estão fora da escola

Índice de alfabetização ficou em 63% em 2025, abaixo da meta de 67%, e Tribunal de Contas cobra reação imediata dos municípios

 

Santa Catarina acendeu um sinal de alerta na educação básica após não atingir a meta de alfabetização estabelecida para 2025. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que apenas 63% das crianças estavam alfabetizadas na idade adequada, abaixo dos 67% previstos.

 

O resultado foi classificado como “crítico” pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE/SC), que colocou a alfabetização como prioridade estratégica e passou a cobrar ações mais efetivas de estados e municípios para reverter o cenário.

 

Para 2026, a meta foi elevada: o objetivo agora é alcançar 70% das crianças alfabetizadas até o 2º ano do ensino fundamental.

 

Desigualdade entre municípios expõe fragilidade do sistema

 

Os dados revelam um contraste significativo dentro do próprio estado. Municípios de pequeno porte apresentam desempenho superior, com índices próximos de 78%, enquanto grandes cidades e polos regionais enfrentam mais dificuldades, com médias na casa dos 60%.

 

Entre os fatores apontados para essa diferença estão desigualdades socioeconômicas, maior mobilidade populacional e desafios estruturais nas redes urbanas de ensino.

 

Mais de 24 mil crianças fora da escola agravam o cenário

 

Outro dado que preocupa ainda mais é o número de crianças fora da escola. Segundo o Cadastro Único, cerca de 24,3 mil crianças entre 4 e 6 anos não estavam matriculadas em Santa Catarina em 2024.

 

O Tribunal de Contas pretende atuar diretamente junto aos municípios para identificar esses alunos e cobrar providências imediatas, inclusive com possível atuação conjunta do Ministério Público.

 

TCE aponta falhas e cobra política estruturada

 

Durante a análise dos dados, foram identificados problemas que vão além do desempenho dos alunos. Entre eles:

 

  • -falhas na aplicação do sistema estadual de avaliação (Seaesc);
  • -falta de integração entre Estado e municípios;
  • -ausência de uma política estruturada e contínua de alfabetização.

 

A proposta do TCE é intensificar o monitoramento, realizar auditorias e acompanhar de perto os resultados educacionais, com foco não apenas em metas, mas na efetividade das políticas públicas.

 

Pressão por resultados

 

Mesmo sendo um dos estados com melhores indicadores socioeconômicos do país, Santa Catarina ficou abaixo do esperado — e agora entra em 2026 sob pressão para recuperar o desempenho.

 

A avaliação é de que, sem ação coordenada entre Estado e municípios, o problema tende a se agravar, comprometendo o desenvolvimento educacional de toda uma geração.