Foto com deputados expõe esforço de unidade diante de turbulência interna
O MDB de Santa Catarina vive um momento de tensão interna que vai além das articulações formais para 2026. Dividido entre o apoio à reeleição do governador Jorginho Mello (PL) e a pré-candidatura de João Rodrigues (PSD), o partido tenta construir um discurso único — ainda que, na prática, as posições sigam distantes.
A foto publicada nas redes sociais do deputado estadual Jerry Comper, ao lado do deputado federal Carlos Chiodini que está presidente estadual do MDB, e do deputado estadual Fernando Krelling, revela mais do que um encontro casual. É um retrato do esforço de diálogo entre alas que hoje pensam diferente dentro do MDB.
Na legenda, Comper resumiu o momento: “O diálogo é o melhor caminho para as decisões mais assertivas e prósperas. Estamos junto”.
Promessa não cumprida pesa
A divisão interna tem origem em um movimento ainda no início do governo. Na largada, Jorginho Mello havia sinalizado que o MDB indicaria o vice em sua chapa à reeleição. O cenário mudou.
O governador acabou optando por manter como vice o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), deixando o MDB fora da composição majoritária. O gesto não foi bem recebido dentro do partido e ainda repercute nos bastidores.
Plano B ganhou força
Diante desse cenário, o MDB avançou em outra direção. Em articulação com o PSD e a chamada Frente Progressista — formada por PP e União Brasil — foi construído um pré-acordo em torno da pré-candidatura de João Rodrigues ao governo do Estado.
Nesse desenho, o PSD encabeça a chapa, o PP indicaria o nome ao Senado, com Esperidião Amin como principal opção, e o MDB ficaria com a vaga de vice.
É justamente nesse ponto que o partido vê protagonismo — algo que não teria em um eventual apoio ao atual governador.
Partido dividido
Apesar do encaminhamento, o MDB ainda fala com mais de uma voz.
De um lado, lideranças como Chiodini defendem o alinhamento com João Rodrigues, dentro de uma construção em que o partido tenha papel central.
De outro, parlamentares como Jerry Comper e Fernando Krelling demonstram maior proximidade com o governo Jorginho Mello e não descartam essa alternativa.
Base pressiona por protagonismo
A indefinição também passa pela base do partido. A caravana do MDB pelo Estado — que já percorreu cerca de uma dezena de municípios — mostrou que a militância, em um primeiro momento, defendia candidatura própria ao governo.
Sem viabilidade de uma chapa pura, o sentimento predominante migrou para uma segunda opção: apoiar um projeto em que o MDB seja protagonista, com espaço real na majoritária.
Apoiar Jorginho, depois da promessa não cumprida, sem participação efetiva na chapa, é hoje o cenário com maior resistência interna.
Foto como recado
Neste contexto, a imagem dos três deputados ganha outro significado.
Mais do que um registro, ela simboliza uma tentativa de reduzir ruídos e alinhar discurso dentro de um partido que ainda busca um caminho comum para 2026.
Foto: Redes Sociais / Dep Jerry





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