Câmara deve votar PEC da Segurança Pública nesta quarta; proposta amplia atuação da PF e cria polícias municipais

A Câmara dos Deputados deve votar ainda nesta quarta-feira (4) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. A informação foi confirmada pelo presidente da Casa, deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB), após reunião com líderes partidários.

 

Para evitar resistência no Senado, o relator da proposta, deputado Mendonça Filho (União-PE), decidiu retirar do texto o trecho que previa a convocação de uma consulta popular sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. A avaliação dos articuladores políticos é que esse ponto poderia comprometer a aprovação da PEC.

 

Com a mudança, o tema da maioridade penal deverá ser tratado futuramente em uma proposta separada.

 

A proposta será enviada diretamente ao plenário da Câmara, sem passar pela comissão especial responsável por discutir o mérito do texto.

 

 

Combate ao crime organizado

 

 

Entre os principais pontos da PEC está a criação de um regime jurídico mais rígido para o enfrentamento de organizações criminosas de alta periculosidade, como facções, milícias e grupos paramilitares.

 

A proposta prevê penas mais duras e restrições maiores a benefícios penais e à progressão de regime, com o objetivo de impedir que lideranças dessas organizações continuem comandando atividades criminosas de dentro dos presídios.

 

 

Sistema Único de Segurança Pública

 

 

Outro eixo da proposta é a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (Susp). A medida pretende tornar permanente a cooperação entre União, estados e municípios no combate ao crime organizado, permitindo maior integração entre as forças de segurança.

 

 

Ampliação da Polícia Federal

 

 

O texto também amplia a atuação da Polícia Federal, permitindo que a corporação investigue crimes que ultrapassem fronteiras estaduais ou tenham repercussão internacional, além de atuar em cooperação com polícias estaduais no enfrentamento ao crime organizado.

 

 

Polícias municipais comunitárias

 

 

A PEC ainda autoriza municípios a criarem polícias municipais comunitárias voltadas ao policiamento ostensivo e à interação direta com a população.

 

Essas estruturas teriam atuação voltada especialmente à segurança urbana em cidades médias e grandes, mas ficariam sob controle externo do Ministério Público.