Angela Albino ganha protagonismo no horário eleitoral de Merisio

Vice volta ao centro do programa da coligação, agora para abordar discriminação racial; anteriormente, candidata comandou peças sobre violência contra a mulher que repercutiram e chegaram à Justiça Eleitoral


A candidata a vice-governadora Angela Albino (PDT) começa a ocupar um espaço que vai além do papel tradicional de vice na campanha de Gelson Merisio (PSB) ao Governo de Santa Catarina. Nos programas temáticos da coligação Coragem para Mudar, Angela vem se transformando em uma das principais vozes da campanha para abordar pautas sociais.

 

Nesta sexta-feira (4), a candidata voltou ao centro do horário eleitoral, desta vez em um programa dedicado à discriminação racial. A peça aborda episódios de preconceito, recupera referências históricas, como Martin Luther King, e utiliza declarações e episódios envolvendo lideranças políticas para discutir racismo, intolerância e respeito às diferenças.

 

A estratégia repete um movimento que já havia chamado atenção no início da propaganda eleitoral.

 

No primeiro programa temático da coligação, exibido em 28 de agosto, Angela foi escolhida para conduzir a discussão sobre violência contra a mulher. A propaganda apresentou dados sobre feminicídios, agressões, ameaças e a estrutura de atendimento às vítimas em Santa Catarina. O programa informou, entre outros números, aumento de 33% nos feminicídios no primeiro semestre de 2026. 


Naquele momento, o protagonismo da candidata a vice já havia chamado atenção fora da própria campanha. Em análise publicada no dia 31 de agosto, a jornalista Sol Urrutia, do Portal Upiara, destacou justamente a decisão da campanha de colocar Angela à frente da discussão sobre feminicídio e violência doméstica.


Programa repercutiu e foi parar na Justiça

 

A campanha continuou explorando o tema em novas inserções. Em uma delas, exibida no domingo (31), Angela relacionou discursos de ódio contra mulheres ao crescimento da violência e foram utilizadas imagens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do governador Jorginho Mello (PL).

 

A propaganda provocou reação da coligação de Jorginho, que ingressou no Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) pedindo sua suspensão. A defesa do governador alegou que imagens e declarações haviam sido utilizadas fora de contexto. O pedido de retirada imediata do conteúdo acabou rejeitado em decisão liminar, permanecendo a discussão sobre o mérito da representação. 


A repercussão também mostrou que a escolha de Angela como protagonista daquele conteúdo produziu efeitos para além do horário eleitoral. A candidata reagiu publicamente à iniciativa judicial e passou a ocupar espaço próprio no confronto político entre as duas campanhas.

 

Muda a pauta, permanece a protagonista

 

Agora, a campanha volta a utilizar uma fórmula semelhante.

 

Se anteriormente Angela conduziu o debate sobre mulheres, feminicídio e violência, no programa desta sexta-feira o eixo muda para discriminação racial. O assunto é diferente, mas a personagem escolhida para conduzir a discussão permanece a mesma.

 

A sequência começa a revelar uma possível divisão de papéis dentro da comunicação da chapa. Merisio permanece como candidato ao governo e responsável pela apresentação mais ampla do projeto eleitoral, enquanto Angela ganha espaço especialmente quando a campanha entra em temas ligados a direitos, preconceito, violência e grupos historicamente discriminados.

 

A escolha também encontra relação com a própria trajetória política da candidata. Angela já foi vereadora de Florianópolis, deputada estadual e deputada federal e construiu parte de sua atuação política ligada a movimentos sociais e de mulheres. 

Ainda é cedo para afirmar até onde a estratégia será levada durante o restante do horário eleitoral. Mas os primeiros programas mostram uma característica pouco comum nas campanhas majoritárias: a vice não aparece apenas para reforçar o candidato principal.

 

Em pelo menos dois dos principais conteúdos temáticos apresentados pela coligação até agora, Angela Albino foi colocada no centro da mensagem.


Primeiro, a violência contra as mulheres. Agora, a discriminação racial. Muda o tema, permanece a protagonista.