Decisão de apoiar Jorginho Mello, contrariando a aliança do MDB com João Rodrigues, deixa o candidato de Concórdia, pelo menos até o momento, sem os recursos milionários destinados a outros nomes da nominata federal
A decisão estratégica da campanha de Closmar Zagonel (MDB) de apoiar Jorginho Mello (PL) na disputa pelo Governo de Santa Catarina tornou ainda mais difícil a caminhada do presidente da Câmara de Vereadores de Concórdia em busca de uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Zagonel concorre pelo MDB, mas decidiu não acompanhar a aliança estadual construída pelo partido em torno da candidatura de João Rodrigues (PSD). O MDB ocupa, inclusive, a vaga de vice na chapa, com o deputado federal Carlos Chiodini.
A escolha por Jorginho teve consequência importante na estrutura financeira da campanha de Zagonel. Pelo menos até o momento, o candidato concordiense não recebeu recursos do Fundo Eleitoral destinados pelo MDB a outros candidatos a deputado federal.
Os números disponíveis no DivulgaCandContas, sistema oficial da Justiça Eleitoral, deixam evidente o tamanho da diferença.
O deputado federal Valdir Cobalchini (MDB) registra R$ 3,015 milhões em receitas, sendo R$ 2,85 milhões repassados pela Direção Nacional do MDB.
Pezenti (MDB) contabiliza R$ 2,879 milhões, dos quais R$ 2,85 milhões vieram da Direção Nacional do partido.
Já Rodrigo Coelho (MDB), de Joinville, que tenta retornar à Câmara dos Deputados e aparece como uma das apostas da legenda, contabiliza R$ 1,756 milhão, sendo R$ 1,75 milhão repassado pela Direção Nacional do MDB.
Zagonel tem R$ 28 mil
Do outro lado está Closmar Zagonel.
A prestação de contas disponível no DivulgaCandContas aponta R$ 28 mil em receitas. Entre os recursos declarados está uma doação de R$ 10 mil do empresário José Alberto Olmi.
A comparação dá a dimensão da diferença.
Enquanto Cobalchini ultrapassa R$ 3 milhões, Pezenti se aproxima dos R$ 2,9 milhões e Coelho supera R$ 1,7 milhão, Zagonel tenta construir sua candidatura com R$ 28 mil arrecadados até o momento.
É uma campanha do “tostão contra o milhão”.
Escolha política teve preço
Nos bastidores da política concordiense, Zagonel é apontado como um candidato com potencial para obter uma votação expressiva no município de Concórdia. O presidente da Câmara também mantém uma agenda intensa de campanha na AMAUC e tem buscado ampliar sua presença para além de Concórdia.
Mas uma eleição para deputado federal exige atuação em diferentes regiões de Santa Catarina. É justamente nesse ponto que a diferença de estrutura financeira pode pesar.
A opção por apoiar Jorginho Mello, adotada como estratégia da candidatura, colocou Zagonel em uma rota diferente daquela definida oficialmente pelo próprio MDB. Enquanto a legenda integra a chapa de João Rodrigues e destina milhões a algumas candidaturas à Câmara Federal, o candidato concordiense segue, pelo menos até agora, sem receber recursos do Fundo Eleitoral.
Naturalmente, as prestações de contas são atualizadas ao longo da campanha e novos recursos ainda podem entrar.
Os dados oficiais mostram que, até o momento, Zagonel não recebeu os repasses partidários milionários observados nas campanhas de Cobalchini, Pezenti e Rodrigo Coelho. A relação entre a ausência desses recursos e a decisão de apoiar Jorginho Mello é uma informação que circula nos bastidores políticos e, naturalmente, não aparece na prestação de contas eleitoral.
Politicamente, porém, o cenário está colocado.
Zagonel apostou em Jorginho e agora precisa compensar no corpo a corpo aquilo que outros candidatos do próprio MDB têm aos milhões para gastar.
A aposta pode render votos em Concórdia e na região. A questão é saber se será suficiente para ampliar a votação pelo Estado e conquistar uma das 16 cadeiras catarinenses na Câmara dos Deputados.
Por enquanto, Zagonel tenta transformar R$ 28 mil em votos numa disputa em que companheiros de partido já têm campanhas abastecidas com milhões.






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