Representantes de associações de controladores de javalis defenderam, durante audiência pública realizada nesta quinta-feira (9) na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), mudanças na legislação e nos procedimentos administrativos para facilitar o controle da espécie invasora no Estado. O debate foi promovido pela Comissão de Agricultura e Desenvolvimento Rural e reuniu deputados, vereadores, produtores rurais, entidades do setor e controladores de diversas regiões catarinenses.
Os participantes alertaram para o crescimento da população de javalis e os prejuízos causados à agropecuária, além dos impactos ambientais e dos riscos sanitários para a produção animal, especialmente para a suinocultura catarinense.
Entre as principais reivindicações apresentadas está a redução da burocracia para obtenção das autorizações de manejo, a diminuição da carga tributária sobre equipamentos utilizados na atividade e a ampliação da participação dos estados nas políticas de controle da espécie, atualmente coordenadas pelo governo federal.
O presidente da Associação Brasileira de Caçadores “Aqui Tem Javali”, Rafael Salerno, afirmou que os controladores enfrentam dificuldades devido às exigências legais e administrativas. Segundo ele, o trabalho é realizado de forma voluntária e com recursos próprios, mas acaba sendo prejudicado pela complexidade dos processos de autorização.
Outro tema levantado durante a audiência foi a utilização de cães no rastreamento dos animais. Controladores relataram dificuldades quando os cães entram em áreas de preservação, como o Parque Nacional de São Joaquim, situação que pode resultar em autuações, mesmo durante ações de manejo autorizadas.
O superintendente do Ibama em Santa Catarina, Paulo da Costa Filho, apresentou dados do Sistema de Informação de Manejo da Fauna (Simaf). Conforme o órgão, entre 2019 e 2026 foram registradas cerca de 268 mil solicitações de autorização para o manejo de javalis no Estado, com aproximadamente 224 mil animais abatidos em quase 90% dos municípios catarinenses. Segundo o Ibama, menos de 1% dos pedidos de autorização são negados.
Também durante o encontro, a coordenadora do Programa Estadual de Espécies Exóticas Invasoras, Elaine Zuchiwschi, apresentou um balanço das ações desenvolvidas pelo Plano de Manejo e Controle do Javali, implantado em 2023. Entre as iniciativas estão a capacitação de agricultores e controladores, a disponibilização de armadilhas para captura dos animais e ações voltadas à eliminação de focos em cativeiros.
A audiência também marcou o lançamento do Censo Catarinense do Controlador de Javali, iniciativa que pretende mapear os controladores em atividade no Estado para subsidiar a elaboração de políticas públicas e fortalecer as estratégias de enfrentamento à proliferação da espécie invasora.
Texto: Marcelo Espinoza / Agência AL
Foto: Jeferson Baldo / Agência AL






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