A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) comunicou nesta terça-feira (30) ao presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, que deixará a presidência do PL Mulher. A decisão foi tomada durante uma reunião em Brasília e ocorre em meio à crise pública envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Michelle estava à frente do PL Mulher desde março de 2023 e era considerada uma das principais lideranças do partido, especialmente junto ao eleitorado feminino e evangélico. Nos últimos anos, percorreu o país fortalecendo diretórios estaduais, promovendo filiações e participando da campanha de candidatos do partido.
Em comunicado divulgado após a reunião, Michelle afirmou que a decisão foi tomada após refletir com o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e que pretende dedicar seu tempo integral aos cuidados da família.
“Após muito refletir com o meu marido sobre o momento em que estamos vivendo em nossa família, reuni-me com o presidente do Partido Liberal e comuniquei minha decisão de deixar a presidência do PL Mulher para me dedicar integralmente aos cuidados com o meu marido e minha filha”, afirmou.
Segundo interlocutores ouvidos pela CNN Brasil, a justificativa apresentada a Valdemar Costa Neto foi justamente a necessidade de acompanhar Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após condenação pelo Supremo Tribunal Federal.
A saída acontece poucos dias depois de Michelle tornar público o desentendimento com Flávio Bolsonaro. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ela afirmou ter sido humilhada, desrespeitada e maltratada durante uma conversa telefônica com o senador sobre a condução da campanha presidencial e a participação dela nas decisões do partido.
A crise ganhou novos capítulos nos últimos dias. Michelle deixou de seguir nas redes sociais os enteados Eduardo Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro, enquanto Flávio divulgou um pedido público de desculpas e defendeu a união da direita. Apesar do gesto, o episódio aumentou a tensão dentro do PL e levou Valdemar Costa Neto a antecipar seu retorno dos Estados Unidos para tentar promover uma reconciliação entre os dois.
Nos bastidores, dirigentes do partido avaliam que Michelle continua sendo um dos principais ativos eleitorais da legenda. Além da forte identificação com o eleitorado conservador, ela teve papel importante na expansão do PL Mulher e na articulação de candidaturas femininas para as eleições de 2026. A expectativa de Valdemar era manter Michelle atuando na campanha presidencial e em agendas nacionais, mas a decisão de deixar o comando do segmento feminino representa mais um sinal do desgaste interno enfrentado pela família Bolsonaro e pelo partido em pleno período pré-eleitoral.





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