Santa Catarina pode estar entre os estados brasileiros mais impactados caso o governo dos Estados Unidos avance com a proposta de novas tarifas comerciais anunciada pelo presidente Donald Trump. O alerta é da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc), que estima que cerca de 65% das exportações catarinenses destinadas ao mercado norte-americano podem ser atingidas pela medida.
Segundo levantamento preliminar da entidade, apenas 14% dos produtos exportados por Santa Catarina aos Estados Unidos estariam incluídos em listas de exceção e escapariam da nova taxação. Outros 20% permanecem temporariamente fora da medida por já estarem enquadrados em regimes específicos de cotas ou tarifas setoriais, como os segmentos de aço, alumínio e indústria automotiva.
Na prática, a Facisc calcula que aproximadamente 85% das exportações catarinenses para os Estados Unidos poderão sofrer algum tipo de taxação adicional caso a proposta seja confirmada.
A preocupação é ainda maior porque Santa Catarina possui forte dependência do mercado norte-americano em diversos setores da economia. O percentual de produtos potencialmente afetados é mais que o dobro da média nacional, colocando o estado entre os mais vulneráveis à medida.
Agronegócio concentra maior exposição
O agronegócio catarinense aparece como o segmento mais exposto aos efeitos da nova política comercial. Segundo a Facisc, mais de 80% dos produtos que podem ser atingidos pela taxação pertencem ao setor agroindustrial.
Entre os principais itens estão madeira e móveis, gelatina, recipientes de papel, suco de maçã e peixes. Em alguns casos, a dependência do mercado norte-americano é significativa. Produtos como obras de carpintaria e suco de maçã destinam cerca de 80% das exportações ao mercado dos Estados Unidos.
Além do agronegócio, a entidade também aponta riscos para outros segmentos importantes da economia catarinense, como a indústria cerâmica não vitrificada e a fabricação de iates.
Facisc pede negociação diplomática
Diante do cenário de incerteza, a Facisc defende rapidez nas negociações diplomáticas e comerciais entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos.
A entidade argumenta que é fundamental garantir previsibilidade e segurança jurídica para os exportadores, evitando perdas de competitividade para as empresas catarinenses. A decisão final sobre a aplicação das tarifas está prevista para julho.
Além da busca por um acordo comercial, a federação também reforça a necessidade de ampliar mercados internacionais como forma de reduzir a dependência econômica dos Estados Unidos.
Reflexos podem chegar ao Oeste catarinense
Embora os efeitos mais imediatos atinjam empresas exportadoras, os reflexos podem alcançar toda a cadeia produtiva catarinense. Municípios do Oeste, fortemente ligados ao agronegócio e à indústria de transformação, acompanham com atenção o desdobramento das negociações.
Caso as tarifas sejam efetivamente implementadas, setores ligados à produção de alimentos, madeira, embalagens e derivados agrícolas poderão enfrentar redução de competitividade, pressão sobre preços e necessidade de buscar novos mercados para absorver a produção.
A preocupação aumenta em um momento em que produtores rurais já enfrentam dificuldades relacionadas a custos de produção, endividamento e oscilações no mercado internacional.





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