A política catarinense nunca funcionou desta forma. E, pelas declarações do fim de semana, o pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, parece desconhecer os próprios números das últimas eleições.
Os resultados eleitorais mostram justamente o contrário do que ele tentou transmitir: a direita em Santa Catarina é maior do que o próprio bolsonarismo.
Existe no estado um eleitorado conservador amplo, diversificado e que não se resume a apenas um grupo político. Um eleitor que, muitas vezes, votou em Bolsonaro para presidente e, ao mesmo tempo, apoia lideranças estaduais diferentes do PL, mas dentro do mesmo campo ideológico de direita.
É exatamente por isso que soa estranho afirmar que Santa Catarina teria “apenas um candidato de direita”.
O governador Jorginho Mello (PL) evidentemente possui a sua liderança dentro do eleitorado de direita ligado ao PL. Mas também é inegável que nomes como João Rodrigues (PSD), Ralf Zimmer (PRD), Marcelo Brigadeiro (Missão) e outras lideranças estaduais dialogam diretamente com esse mesmo eleitorado conservador, liberal e antipetista.
E aí surge o problema político da declaração.
Porque, ao tentar reduzir toda a direita catarinense a um único palanque, Flávio Bolsonaro cria um ruído desnecessário justamente com eleitores que já votaram e votam na família Bolsonaro.
Quando ele desconsidera outras lideranças conservadoras do estado, acaba transmitindo uma mensagem perigosa: a de que os votos desses eleitores talvez não interessem.
E isso parece um erro estratégico.
Até porque João Rodrigues, por exemplo, mantém uma relação política antiga com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os dois foram colegas na Câmara dos Deputados e possuem uma relação construída ao longo de muitos anos dentro do próprio campo conservador.
Talvez aí esteja um ponto que a política normalmente cobra caro: a soberba.
Porque a política não combina com soberba. A história mostra que nenhum grupo político é dono absoluto de eleitorado algum.
Uma coisa é defender o apoio político ao governador Jorginho Mello. Isso é legítimo e faz parte do jogo político. Outra completamente diferente é tentar estabelecer uma espécie de selo oficial de “direita verdadeira”, como se apenas um grupo tivesse legitimidade para representar o pensamento conservador catarinense.
Santa Catarina nunca teve uma direita de dono único.
E talvez o maior equívoco da fala de Flávio Bolsonaro seja justamente não perceber isso.





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