Progressistas divididos e ainda na dependência de uma decisão da federação

O Progressistas de Santa Catarina se reuniu na noite de segunda-feira (16), em Florianópolis, para discutir os encaminhamentos do partido visando as eleições de 2026. O encontro, no entanto, terminou sem qualquer definição oficial, evidenciando um cenário de divisão interna e forte dependência das decisões da federação com o União Brasil.

 

O principal impasse gira em torno do apoio ao projeto de reeleição do governador Jorginho Mello (PL) ou a aproximação com o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), que se coloca como pré-candidato ao governo do Estado.

 

A divisão já começa dentro da própria bancada de deputados estaduais. O deputado Altair Silva defende o apoio a João Rodrigues (PSD). Já Pepê Collaço e Zé Milton Schaeffer são favoráveis ao alinhamento com o governador Jorginho Mello (PL), evidenciando a falta de consenso interno no partido.

 

Outro fator determinante é a situação do senador Esperidião Amin. Caso o Progressistas opte por apoiar João Rodrigues, Amin teria espaço garantido como candidato ao Senado na chapa. Por outro lado, em um eventual apoio ao governador, não há, neste momento, espaço para sua candidatura dentro da coligação governista.

 

Neste cenário, Amin teria como alternativa uma candidatura avulsa ao Senado — possibilidade que o próprio senador já sinalizou, em entrevistas recentes, não considerar o melhor caminho político.

 

A reunião da executiva estadual acabou funcionando mais como uma consulta interna do que como um momento de decisão. O partido segue aguardando um posicionamento mais amplo, que necessariamente passa pela federação com o União Brasil.

 

O presidente estadual do União Brasil, deputado federal Fábio Schiochet, já indicou preferência por um alinhamento com João Rodrigues (PSD), o que adiciona mais um elemento de pressão sobre o Progressistas.

 

Nos bastidores, também chama atenção o comportamento de parte da executiva do partido, que avalia o cenário levando em conta a ocupação de espaços em um eventual governo. Na própria segunda-feira, após a reunião, integrantes do Progressistas favoráveis ao apoio a Jorginho Mello participaram de um jantar com o governador, na Casa d’Agronômica.

 

O senador Esperidião Amin, apesar de convidado, não compareceu ao encontro, mantendo agenda previamente definida. A postura reforça sua estratégia de adiar qualquer definição para o período das convenções partidárias, previstas entre julho e agosto.

 

Sem consenso interno e dependente de uma construção conjunta com o União Brasil, o Progressistas segue em compasso de espera. No pano de fundo, cresce a disputa entre projetos políticos distintos e interesses dentro da própria sigla — cenário que, por ora, impede uma definição clara sobre o futuro do partido em Santa Catarina.