Reviravolta no Paraguai: presidente continua no cargo após anunciar renúncia e enfrenta impeachment

Congresso não concluiu votação sobre saída de Santiago Peña, enquanto Senado avança com julgamento político em meio à crise bancária que atinge milhões de clientes.


A crise política no Paraguai ganhou novos desdobramentos nesta sexta-feira (6). Depois de anunciar sua renúncia à Presidência da República na quinta-feira (5), Santiago Peña permanece no cargo e enfrenta um processo de impeachment no Senado, que poderá resultar em sua destituição.

 

A reviravolta ocorreu após uma sessão conjunta do Congresso destinada a analisar a renúncia terminar sem uma decisão válida. Parlamentares governistas abandonaram o plenário, provocando a falta de quórum e impedindo a conclusão da votação.

 

Com isso, Peña continua formalmente na Presidência, enquanto o Senado dá prosseguimento ao julgamento político. A Câmara dos Deputados já havia aprovado por unanimidade a acusação contra o presidente por suposto mau desempenho de suas funções.

 

O Senado retomou os procedimentos nesta sexta-feira (6). Peña solicitou um prazo adicional de 72 horas para preparar sua defesa diante das acusações relacionadas ao colapso do Ueno Bank, instituição financeira com a qual manteve vínculos empresariais até março de 2025.

 

A crise bancária atingiu aproximadamente três milhões de clientes e provocou protestos nas ruas de Assunção. O Banco Central do Paraguai determinou a intervenção na instituição após identificar graves problemas de solvência e irregularidades em operações financeiras.

 

Além do processo político, a Procuradoria paraguaia abriu investigações criminais envolvendo a fiscalização do banco, a aplicação de recursos públicos na instituição e possíveis responsabilidades de autoridades governamentais.

 

Um dos pontos centrais da disputa política envolve as consequências da saída de Peña. Caso sua renúncia seja aceita, ele poderá adquirir a condição de senador vitalício, com prerrogativas parlamentares. Uma eventual destituição por impeachment impediria esse benefício.

 

O presidente declarou que pretende colaborar com as investigações e apresentar documentos em sua defesa. Também pediu tranquilidade à população diante das dificuldades enfrentadas pelos clientes da instituição financeira.

 

Enquanto isso, o governo paraguaio enfrenta uma crise institucional, com o futuro da Presidência dependendo dos próximos procedimentos no Senado. Caso Peña seja destituído, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o comando do país.