Presidente do Paraguai anuncia renúncia em meio à crise bancária

Santiago Peña afirma que decisão busca preservar a estabilidade do país; anúncio ocorre após perda de apoio político e avanço de pedido de impeachment.

 

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, do Partido Colorado, anunciou nesta quinta-feira (5) a decisão de apresentar sua renúncia ao cargo. Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, afirmou que a saída busca preservar a estabilidade do país, a paz social e as instituições democráticas.

 

O anúncio ocorre em meio à crise provocada pela intervenção no banco digital Ueno e ao avanço de um pedido de impeachment no Congresso. Peña também perdeu o apoio de integrantes do próprio partido, que passaram a defender o julgamento político do mandatário.

 

Ao comunicar a decisão, Peña afirmou que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar dos paraguaios. Ele também pediu desculpas à população por eventuais falhas durante sua gestão e defendeu a devolução dos recursos aos clientes afetados pela crise bancária.

 

O Ueno sofreu intervenção após a identificação de problemas de solvência, deixando clientes sem acesso aos recursos. A instituição tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos previdenciários.

 

A relação anterior de Peña com o grupo proprietário do banco ampliou os questionamentos políticos. O presidente havia sido acionista do grupo e passou a ser alvo de acusações de possíveis conflitos de interesses e irregularidades envolvendo recursos públicos.

 

A crise financeira provocou manifestações de clientes e aumentou a pressão sobre o governo. Parlamentares apresentaram um pedido de impeachment, enquanto setores do Partido Colorado retiraram o respaldo ao presidente.


A renúncia deverá ser analisada pelo Congresso paraguaio. A sucessão está prevista para o vice-presidente Pedro Alliana, mas, até as informações consultadas, não havia confirmação de sua posse.