Lula aceita condições de Flávio para abrir sigilos e cobra reciprocidade

Campanha anuncia resposta ao TSE nesta quinta-feira e exige que adversário também autorize acesso às informações solicitadas pelo presidente

 

A campanha do presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta quarta-feira (21) que ele aceita as condições apresentadas pelo adversário, Flávio Bolsonaro (PL), para a abertura de sigilos. O anúncio foi feito pelo senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha, que cobrou o cumprimento integral dos pedidos apresentados anteriormente pelo petista.

 

Segundo Camilo, a resposta será protocolada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (22), às 11h. A campanha pretende apresentar a autorização de Lula e cobrar que o adversário também disponibilize as informações solicitadas.

 

“O presidente não se opõe a absolutamente nada”, afirmou Camilo ao comentar as exigências de Flávio. A aceitação, conforme explicou, depende de reciprocidade na abertura dos dados.

 

Exigências incluem ex-assessor e gastos da Presidência

 

Flávio havia apresentado uma petição autorizando o levantamento de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, mas estabeleceu condições para a divulgação.

 

Entre elas estão informações telefônicas e telemáticas do ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, além de outros auxiliares.

 

O candidato também pediu acesso às contas do Instituto Lula, de empresas dos filhos do presidente e de pessoas próximas. A lista inclui registros de gastos com o cartão corporativo da Presidência, a agenda da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, o uso de helicópteros da Força Aérea Brasileira e despesas do Palácio da Alvorada.

 

Campanha questiona empresa

 

Ao anunciar a resposta, Camilo também questionou o tratamento dado à empresa Alcazar na manifestação de Flávio. Segundo o coordenador, a campanha considera que os dados da companhia devem permanecer entre as informações sujeitas à abertura.

 

A empresa é ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador. Flávio é apontado em investigação da Polícia Federal como suposto usuário com acesso de gerenciamento à conta da companhia.

 

Camilo estabeleceu esta quinta-feira, às 11h, como o prazo político cobrado pela campanha para que o adversário aceite integralmente os termos apresentados por Lula. O anúncio de aceitação das exigências antecede o protocolo da nova manifestação e não representa, por si só, a divulgação dos registros.