Governadores eleitos, apoio de partidos e adesão de ex-presidenciáveis fortalecem o candidato do PL; Lula busca reação nas redes e mobilização de eleitores que não votaram
Flávio Bolsonaro (PL) inicia a disputa pelo segundo turno com vantagem nas articulações políticas. Além de terminar a primeira votação à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador amplia alianças com governadores eleitos, recebe apoio de antigos adversários na corrida presidencial e conquista adesões partidárias.
A Região Sul ocupa posição estratégica nessa mobilização. O PL venceu as eleições para os três governos estaduais: Jorginho Mello foi reeleito em Santa Catarina, Luciano Zucco conquistou o governo do Rio Grande do Sul e Sergio Moro venceu no Paraná. Os três têm encontro previsto nesta quinta-feira (8), em Brasília, para discutir estratégias de apoio a Flávio.
Com as disputas estaduais resolvidas, essas lideranças podem concentrar esforços na eleição presidencial. A força política dos governadores, suas alianças municipais e a mobilização dos grupos que participaram das campanhas estaduais oferecem condições para ampliar o trabalho em favor do candidato do PL.
O movimento também alcança governadores de outras siglas. Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito em São Paulo, e Cleitinho Azevedo (Republicanos), eleito em Minas Gerais, estão entre os aliados de Flávio. Tarcísio teve participação direta na articulação que levou o Republicanos a oficializar apoio ao senador. A federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, e o Novo também anunciaram adesão.
Outra frente passa pelos candidatos à Presidência que ficaram fora do segundo turno. Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) declararam apoio a Flávio, reforçando a tentativa de reunir o eleitorado contrário à continuidade do PT no governo federal.
Em Santa Catarina, essa convergência ultrapassa as divergências da eleição estadual. Embora o PSD nacional tenha mantido a neutralidade, liberando seus integrantes, o diretório catarinense anunciou apoio a Flávio. Em carta aberta assinada pelo presidente estadual, Eron Giordani, a legenda convocou filiados, lideranças e eleitores para apoiar o candidato do PL em 25 de outubro.
A decisão aproxima, na disputa presidencial, grupos que estiveram em lados opostos na corrida pelo governo catarinense. O PSD apresentou João Rodrigues como adversário de Jorginho Mello, mas agora a direção estadual da sigla se posiciona a favor do mesmo candidato à Presidência apoiado pelo governador reeleito.
Do outro lado, Lula procura reorganizar a campanha diante das cobranças por mudanças na comunicação. Uma das primeiras iniciativas é ampliar a presença nas redes sociais, com a participação de parlamentares jovens e lideranças que demonstraram capacidade de alcançar grandes públicos na internet.
Entre os nomes ouvidos estão Ana Elisa e Pedro Rousseff, eleitos pelo PT de Minas Gerais, e Jones Manoel, eleito pelo PSOL de Pernambuco. As discussões incluem uma comunicação mais efetiva e um discurso voltado às propostas para o futuro, além da defesa das realizações dos governos petistas.
Lula terminou o primeiro turno com 45,16% dos votos válidos, contra 47,03% de Flávio Bolsonaro — uma diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos. Para reverter o resultado, a campanha petista busca recuperar eleitores, ampliar sua votação e estimular o comparecimento de quem não participou da primeira votação.
A abstenção representa um universo expressivo nessa disputa: mais de 33,4 milhões de brasileiros deixaram de votar, equivalentes a cerca de 21% do eleitorado. A capacidade de mobilizar parte desse público será um dos fatores relevantes para as duas candidaturas.
Neste início de segundo turno, a sequência de adesões dá a Flávio maior impulso nas articulações, enquanto Lula trabalha para ajustar a comunicação e mobilizar sua base. Transformar apoio político em votos será o desafio até 25 de outubro: alianças fortalecem campanhas, mas a escolha final pertence ao eleitor.





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