Ex-prefeito fala em “ingratidão e traição”; vereador cobra autocrítica, e troca de recados coloca em dúvida a convivência entre as lideranças
A eleição terminou, mas a disputa dentro do PSD de Concórdia ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (7). Depois de Rogério Pacheco avaliar sua candidatura a deputado estadual e reclamar da falta de apoio do partido no município, o vereador Wagner Luís Bee usou a tribuna da Câmara para mandar um recado: diante de uma derrota, é preciso olhar para os próprios erros antes de procurar culpados.
A manifestação, feita em nome da bancada do PSD, respondeu às declarações do ex-prefeito à Rádio Rural naquela manhã. Pacheco afirmou que não teve o apoio da sigla local nem dos vereadores do próprio partido e falou em uma “mistura amarga de ingratidão e traição” de pessoas que havia ajudado durante seus mandatos.
Horas depois, Bee apresentou outra leitura do resultado eleitoral.
“Quando vencemos uma eleição é fácil, não precisamos nos justificar. A reflexão é para quando não obtemos êxito em alguma coisa na vida: não devemos achar culpados. Nós vamos fazer uma autoanálise dos nossos erros”, afirmou.
O vereador abordou a decisão de apoiar outro candidato do PSD na disputa estadual. Sua manifestação deixou evidente que a bancada não compartilha da avaliação feita por Pacheco sobre a falta de apoio à candidatura.
A vereadora Rutineia Rossi também entrou no debate. Lembrou que enfrentou duas derrotas eleitorais e afirmou que, nessas ocasiões, não procurou responsabilizar outras pessoas pelo resultado.
O desencontro virou confronto público
As manifestações expõem um desgaste que vai além da avaliação das urnas. De um lado, Pacheco cobra reciprocidade de lideranças que ajudou a construir politicamente. Do outro, vereadores do partido defendem suas escolhas e devolvem ao ex-prefeito a cobrança por uma avaliação da própria campanha.
Na entrevista, Pacheco também demonstrou decepção com Fabiano Caitano, candidato do PSD à Prefeitura em 2024, que apoiou Edilson Massocco (PL) para deputado estadual. O ex-prefeito classificou a decisão como “estranha e decepcionante”, embora tenha reconhecido que a escolha foi individual.
O quadro revela um PSD dividido em Concórdia. Lideranças que estiveram no mesmo projeto municipal seguiram caminhos diferentes na eleição de 2026 e, agora, discutem publicamente as responsabilidades pelo resultado.
Há espaço para todos?
Politicamente, a troca de recados coloca uma pergunta sobre a mesa: ainda há espaço para acomodar todas essas lideranças no mesmo projeto?
Depois das referências a “ingratidão e traição” e da resposta cobrando autocrítica, uma recomposição exigirá mais do que manter todos sob a mesma sigla. Será necessário reconstruir a confiança e estabelecer algum entendimento sobre o futuro do partido no município. Sem isso, a possibilidade de alguém pedir para sair passa a fazer parte do horizonte político.





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