Ex-prefeito avalia resultado nas urnas, manifesta decepção com Fabiano Caitano e deixa futuro eleitoral em aberto
O ex-prefeito de Concórdia, Rogério Pacheco (PSD), atribuiu o resultado de sua candidatura a deputado estadual a uma combinação de desigualdade de estrutura financeira, força das máquinas administrativas, polarização e perda de apoios políticos. Em entrevista à Rádio Rural, afirmou que não contou com o apoio do PSD de Concórdia nem dos vereadores do próprio partido.
Pacheco disse que tinha consciência das dificuldades da disputa, mas reconheceu a decepção com atitudes de pessoas que, segundo ele, receberam seu apoio durante os mandatos à frente da Prefeitura.
“A decepção maior é pela mistura amarga de ingratidão e traição de algumas pessoas que eu tanto ajudei quando estava prefeito e que acabaram mudando de lado”, declarou.
O ex-prefeito afirmou que ganhar e perder faz parte da trajetória de quem disputa eleições. Segundo seu balanço, participou de dez disputas, com oito vitórias e duas derrotas. Disse que encerra a campanha de cabeça erguida, amparado pela família e por amigos, e destacou o legado de sua administração.
Decepção com Fabiano Caitano
Questionado sobre o apoio de Fabiano Caitano à candidatura de Edilson Massocco (PL), Pacheco classificou a decisão como “estranha e decepcionante”. Caitano disputou a Prefeitura pelo PSD em 2024, como candidato à sucessão de Pacheco.
O ex-prefeito afirmou que incentivou a trajetória política de Caitano, apoiou suas duas eleições para vereador e sua atuação como presidente da Câmara, além de atender reivindicações apresentadas por ele à administração municipal.
“Eu achei estranho e, ao mesmo tempo, também fiquei decepcionado, porque sempre ajudei”, afirmou.
Apesar da crítica, Pacheco disse que não tem nada contra Caitano pessoalmente e reconheceu que a escolha de apoio foi uma decisão individual. Acrescentou que a sociedade acompanha os movimentos políticos e que prefere olhar para a frente.
Polarização e voto útil
Sobre a votação de Massocco, eleito deputado estadual, Pacheco afirmou que o resultado não o surpreendeu. Na sua avaliação, a estrutura de campanha, o peso das administrações municipal e estadual e a polarização contribuíram para o desempenho do candidato do PL.
Segundo ele, o PSD ficou no meio dessa disputa, enquanto o chamado voto útil ganhou força nos últimos dias da campanha.
Pacheco também reconheceu os méritos dos concorrentes e afirmou que a decisão das urnas deve ser respeitada. Parabenizou os eleitos e desejou que representem com responsabilidade Concórdia, o Oeste e Santa Catarina.
Sem apoio do partido local
Ao falar sobre o posicionamento do PSD no município, Pacheco foi direto: “Eu não tive, inclusive, o apoio do partido aqui em Concórdia. Não tive também o apoio dos próprios vereadores”.
Disse que pretende conversar nos próximos dias com o presidente estadual da sigla para discutir os próximos passos e o caminho político que seguirá. Não antecipou decisões sobre sua permanência no partido ou uma eventual reorganização local.
Futuro eleitoral em aberto
Questionado sobre a possibilidade de disputar as eleições municipais de 2028, Pacheco não confirmou nem descartou uma candidatura.
“Essa questão a Deus pertence”, respondeu, acrescentando que as decisões dependem do momento e das circunstâncias políticas.
O ex-prefeito, porém, sinalizou que pretende continuar participando do debate público. Disse que concorreu para oferecer uma alternativa ao eleitor e defender posições contrárias ao que classificou como práticas populistas. “O maior pecado nas eleições é a omissão dos bons”, afirmou.
Com informações de entrevista à Rádio Rural.





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