Campanha do governador questiona inserção protagonizada por Angela Albino que cita aumento de 33,3% nos feminicídios em Santa Catarina; defesa alega que imagens foram utilizadas fora de contexto
A disputa pelo Governo de Santa Catarina chegou novamente à Justiça Eleitoral. A coligação do governador Jorginho Mello (PL), candidato à reeleição, ingressou com uma representação no Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) contra a coligação Coragem para Mudar, encabeçada por Gelson Merisio (PSB).
A ação, acompanhada de pedido de liminar, busca suspender uma inserção eleitoral exibida na televisão no domingo (31). A peça é protagonizada pela candidata a vice-governadora Angela Albino (PDT) e aborda a violência contra a mulher em Santa Catarina.
Na propaganda, Angela afirma que os casos de feminicídio cresceram 33,3% no Estado durante os seis primeiros meses de 2026 e relaciona a escalada dos discursos de ódio contra as mulheres ao aumento da violência.
Durante a inserção são utilizadas imagens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e também de Jorginho Mello. Entre elas aparece uma cena em que o governador catarinense segura um bastão de madeira.
A campanha de Jorginho sustenta na representação que as imagens foram utilizadas fora de contexto e pede à Justiça Eleitoral a suspensão da propaganda.
O processo foi distribuído a um juiz auxiliar do TRE-SC e, conforme as informações disponíveis, aguardava manifestação da Procuradoria Regional Eleitoral.
Violência contra a mulher virou tema da campanha
O episódio ocorre depois de a campanha de Merisio colocar a violência contra a mulher entre os principais temas de sua propaganda eleitoral.
Na sexta-feira (28), Angela Albino já havia protagonizado o primeiro programa temático da coligação Coragem para Mudar na televisão.
Na ocasião, a campanha apresentou números sobre feminicídios, ameaças e agressões contra mulheres, além de questionamentos sobre a estrutura de atendimento às vítimas no Estado.
Segundo os dados utilizados pela coligação, Santa Catarina registrou 28 feminicídios somente no primeiro semestre de 2026, crescimento de aproximadamente 33% em relação ao mesmo período anterior.
A campanha também apontou problemas na estrutura de atendimento especializado às mulheres e criticou a ausência de Delegacias de Proteção à Mulher funcionando 24 horas no Estado.
Angela reage
Depois da iniciativa judicial da campanha de Jorginho, Angela Albino também reagiu publicamente.
A candidata a vice afirmou ter se surpreendido com a representação e questionou o fato de justamente uma propaganda sobre a situação das mulheres em Santa Catarina ter provocado a reação judicial do governador.
Merisio, por sua vez, manteve as críticas ao governo e afirmou que os dados apresentados na propaganda sobre feminicídios permanecem como parte do debate eleitoral.
Com a representação, a violência contra a mulher, que já vinha ganhando espaço na campanha eleitoral catarinense, passa também a ser objeto de uma disputa jurídica entre duas das principais candidaturas ao Governo do Estado.





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