Um dos melhores atletas do paraciclismo do Brasil competiu por Chapecó nos Parajasc. André Luiz Carneiro tem ficado entre os três primeiros do país nos últimos anos, na categoria MC4 e recentemente foi pré-convocado pela Confederação Brasileira de Ciclismo para o Jogos Parapan-Americanos de 2027, no Peru. Ele foi medalha de Prata no Brasileiro de pista em 2022 e Ouro no Contrarrelógio Individual, em 2025. Também foi Bronze no Campeonato Pan-Americano de Paraciclismo de Pista e Estrada, disputado em 2026, em Indaiatuba-SP.
Nos Parajasc, tinha sido ouro em 2022, 2023, 2024 e 2025. Em casa, conquistou o pentacampeonato. Ele foi Ouro DF na categoria MC4 “Estou muito feliz pois desde que começou a modalidade eu tenho conquistado medalha. Comecei no esporte para a manutenção da saúde, depois comecei a treinar para a competição e depois virou alto rendimento. Há cinco anos que estou treinando diariamente, fazendo 400 a 450km por semana”, disse André, que também é conhecido como Bujão, apelido que ganhou quando ainda era criança.
Antes do Ciclismo ele também chegou a praticar basquete em cadeira de rodas, tendo disputado os Parajasc nessa modalidade. Mas depois que a equipe migrou para o handebol, não se adaptou e resolver ir para o Ciclismo,. Ele já tinha participado de uma escolinha de ciclismo, em 1995 e 1996, antes de ter sido vítima da meningite. A doença veio aos 19 anos, quando estava servindo o quartel, em São Miguel do Oeste. No início parecia uma gripe mas o quadro agravou, parte da perna direita necrosou e precisou ser amputada, além de alguns dedos da mão esquerda.
“Eu fiquei em tratamento médico durante um ano. Tive que fazer enxerto de pele, foi um tratamento longo, que exigiu tempo, paciência. Você quase entra em parafuso porque você não aceita. Meu corpo foi mutilado. Até você assimilar e ver que não é o fim, mas o começo de uma nova história de vida, tem um tempo de adaptação”, disse.
Durante o tempo em que ficou afastado do esporte André engordou e chegou a pesar quase 140 quilos. Além da obesidade tinha apneia. “Pela questão de saúde resolvi mudar de vida voltar ao ciclismo. Lembro que na primeira prova que participei, no interior do Paraná, levei seis a sete voltas dos demais. Parecia que iria infartar. Mas pensei: vou emagrecer, vou começar a treinar e competir. Aí perdi 45 quilos e fui melhorando. Hoje, aos 48 anos, compito com atletas de 20, 30, 40 anos. E em algumas provas disputo contra quem não tem deficiência física. Mas tem que treinar bastante senão não acompanho”, disse André.
Ele afirmou que os Parajasc são um incentivo para quem tem alguma deficiência buscar se superar. “Quem disputa os Parajasc são guerreiros. Quem tem uma deficiência e não está escondido em casa, já é um vencedor. A medalha é importante, mas você sair de casa, se dedicar a um treino, já é ser um vencedor. É uma satisfação representar Chapecó e espero fazer isso enquanto tiver saúde”, disse André.
Secom PMC





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