Com o início oficial da campanha eleitoral neste domingo (16), os adesivos de candidatos começam a ganhar espaço também nos veículos. Junto com a propaganda, porém, voltou a circular uma dúvida entre os motoristas: colocar adesivo político no carro pode fazer o proprietário perder a cobertura do seguro?
A resposta, em regra, é não.
Especialistas e representantes do setor de seguros esclarecem que a simples colocação de propaganda eleitoral em um veículo de uso particular não é suficiente para comprometer a cobertura do seguro. O presidente do Instituto Brasileiro de Direito do Seguro (IBDS), Ernesto Tzirulnik, afirmou que uma seguradora não poderia negar uma indenização apenas pelo fato de o veículo estar adesivado.
O problema não é o adesivo, mas o uso do veículo
O ponto de atenção está na utilização que passa a ser feita do automóvel.
Se o carro continua sendo utilizado normalmente pelo proprietário para deslocamentos pessoais, trabalho ou lazer, o adesivo político, por si só, não representa mudança na finalidade do veículo.
A situação pode ser diferente, entretanto, se o automóvel passar efetivamente a ser utilizado em atividades de campanha, como apoio logístico, transporte sistemático de materiais ou outras funções relacionadas à estrutura eleitoral.
Segundo Jaime Soares, presidente da Comissão de Seguros de Automóvel da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), uma mudança da utilização particular para atividades de campanha deve ser informada à seguradora para que o contrato possa ser atualizado.
Mudança no perfil de risco pode fazer diferença
A utilização do automóvel é uma das informações consideradas pelas seguradoras na avaliação do risco.
A Superintendência de Seguros Privados (Susep) explica que o questionário de avaliação de risco pode levar em consideração, entre outros fatores, a região de circulação e a utilização do veículo, como uso profissional, locomoção diária ou lazer.
Por isso, quem efetivamente transformar o carro particular em veículo utilizado regularmente em atividades de campanha deve consultar sua seguradora ou corretor para verificar a necessidade de atualização da apólice.
E o que diz a Justiça Eleitoral?
A propaganda eleitoral em veículos particulares é permitida, mas existem limites.
Para as eleições de 2026, a regulamentação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelece que os adesivos podem ter dimensão máxima de 50 centímetros por 40 centímetros. No para-brisa traseiro é permitido o uso de adesivo microperfurado até sua extensão total.
Portanto, além das condições do seguro, o proprietário também precisa observar as regras eleitorais para a colocação da propaganda.
Afinal, carro adesivado perde o seguro?
Não simplesmente por estar adesivado.
A presença de um adesivo de candidato, partido ou coligação em um veículo particular não significa automaticamente perda ou cancelamento da cobertura.
A atenção deve estar voltada para outra questão: se o veículo deixar de ter apenas utilização particular e passar a ser empregado efetivamente nas atividades de uma campanha eleitoral, essa mudança pode alterar o risco considerado pela seguradora e deve ser comunicada.
Para o eleitor que simplesmente coloca um adesivo no próprio carro para manifestar apoio político e continua utilizando o veículo normalmente, portanto, não há fundamento para afirmar que o seguro estará automaticamente descoberto.





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