Página Quatro analisa estratégias adotadas neste domingo e vê riscos para candidatos que ainda precisam ampliar espaço junto ao eleitorado
Os dois debates realizados neste domingo (23), envolvendo candidatos ao Senado por Santa Catarina e à Presidência da República, tiveram um elemento em comum: ausências importantes. Mas nem todas podem ser analisadas da mesma forma.
Em Santa Catarina, alerta para Caroline De Toni
No debate entre os candidatos ao Senado por Santa Catarina, participaram Afrânio Boppré, Décio Lima, Esperidião Amin, Jefferson Rocha e Antídio Lunelli. Carlos Bolsonaro e Caroline De Toni não compareceram.
No caso de Carlos Bolsonaro, a ausência pode ser compreendida do ponto de vista estratégico. Recém-chegado à política catarinense, transferiu seu domicílio eleitoral para o Estado e ainda enfrenta um problema evidente: precisa demonstrar conhecimento sobre Santa Catarina, suas regiões e seus principais desafios.
Participar de um debate nesse momento também significa correr o risco de ser confrontado justamente sobre questões específicas do Estado.
Com Caroline De Toni, a situação é diferente.
Deputada federal por Santa Catarina e com trajetória política construída no Estado, Caroline teria no debate a oportunidade de apresentar propostas, defender sua atuação parlamentar e mostrar o que realizou por Santa Catarina.
Por isso, a estratégia de ficar fora dos debates causa estranheza.
Caroline sempre construiu uma imagem de política combativa, disposta ao enfrentamento. Agora, ao evitar os debates, corre o risco de transmitir justamente a impressão contrária.
E existe outro componente que merece atenção: Carlos Bolsonaro disputa praticamente o mesmo campo eleitoral.
Cuidado para Carlos Bolsonaro não engolir Caroline De Toni nesta eleição.
A ausência dos debates pode acabar favorecendo justamente seu companheiro de chapa na disputa pelas duas vagas ao Senado. Caroline precisa aparecer, apresentar propostas e mostrar ao eleitor catarinense por que pretende representá-lo no Senado.
Debate presidencial também teve ausências
Situação semelhante ocorreu no debate presidencial realizado pela Band neste domingo.
Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury participaram, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema ficaram de fora.
As ausências de Lula e Flávio Bolsonaro podem ser compreendidas dentro de uma estratégia eleitoral.
Lula ocupa a Presidência da República e naturalmente seria o principal alvo das críticas dos adversários. Flávio Bolsonaro também chegaria ao debate sujeito a ataques e questionamentos sobre episódios relacionados à sua trajetória política.
Com Romeu Zema, entretanto, a situação é diferente.
Zema parece ter jogado a toalha?
Zema é bastante conhecido em Minas Gerais, onde construiu sua trajetória política, mas ainda precisa ampliar seu conhecimento junto ao eleitorado nacional.
Justamente por isso, deixar de participar de um debate tradicional como o da Band parece uma estratégia difícil de compreender.
Debates nacionais são oportunidades para candidatos que precisam crescer apresentarem suas ideias, confrontarem adversários e chegarem a milhões de eleitores que ainda pouco conhecem suas propostas.
A ausência de Zema passa até a impressão de que o candidato jogou a toalha.
Assim como Caroline De Toni em Santa Catarina, Zema deveria ser um dos principais interessados em ocupar esses espaços.
O eleitor também não está necessariamente disposto a aceitar passivamente sucessivas ausências. Quem precisa crescer eleitoralmente dificilmente consegue fazer isso se evitando justamente os espaços nos quais poderia apresentar suas ideias.
Para Caroline De Toni e Romeu Zema, portanto, fica o alerta: esconder-se dos debates pode ser uma estratégia muito mais arriscada do que enfrentar os adversários.





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