O Republicanos oficializou nesta segunda-feira (3) a decisão de permanecer neutro na disputa pela Presidência da República nas eleições de 2026. A posição foi anunciada pelo presidente nacional da legenda, deputado federal Marcos Pereira (SP), após reunião da Executiva Nacional em Brasília. Segundo ele, 17 dos 27 diretórios estaduais defenderam a neutralidade, posição que acabou prevalecendo.
O encontro reuniu lideranças nacionais do partido, entre elas os senadores Hamilton Mourão (RS) e Damares Alves (DF), dois dos principais nomes da ala conservadora da legenda. Apesar da presença de lideranças alinhadas ao campo da direita, o partido optou por não declarar apoio a nenhum candidato à Presidência no primeiro turno.
A decisão representa um revés para a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), que buscava ampliar sua coligação nacional. Nas últimas semanas, Marcos Pereira manteve conversas com dirigentes do PL e condicionou um eventual apoio à construção de alianças estaduais, especialmente em Mato Grosso e Roraima, onde Republicanos e PL disputam espaços políticos. Como não houve entendimento, prevaleceu a tese da independência.
Além do aspecto político, a neutralidade também influencia o tempo de propaganda eleitoral. Sem o Republicanos na coligação, Flávio Bolsonaro perde a possibilidade de ampliar seu espaço no rádio e na televisão, um dos fatores considerados estratégicos para a campanha presidencial.
Embora a direção nacional tenha optado pela neutralidade, o partido decidiu conceder autonomia aos diretórios estaduais para definir seus posicionamentos nas disputas locais. Assim, em alguns estados o Republicanos poderá apoiar candidatos ligados ao PL, enquanto em outros poderá integrar chapas de diferentes campos políticos, conforme as alianças regionais.
A decisão confirma uma estratégia que vinha sendo desenhada desde o início do ano. Marcos Pereira já afirmava que o Republicanos dificilmente apoiaria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas também demonstrava resistência em aderir automaticamente ao projeto presidencial do PL, defendendo que a legenda preservasse sua autonomia política e priorizasse seus interesses estaduais.






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