A partir deste domingo, 16 de agosto, começa oficialmente a campanha eleitoral. Os candidatos finalmente poderão pedir votos, ocupar as ruas, intensificar as redes sociais e colocar suas campanhas para valer.
No mundo da política, é verdade, a eleição já está pegando fogo faz tempo.
Partidos montaram suas chapas, candidaturas foram definidas, alianças foram fechadas, pesquisas são analisadas quase diariamente e as equipes trabalham a todo vapor.
Mas existe uma diferença enorme entre o mundo da política e o mundo do eleitor.
Agora é que a eleição começa a entrar na vida do eleitorE, para boa parte da população, a eleição ainda não começou.
O cidadão comum não acorda pensando em pesquisa eleitoral, estratégia partidária ou composição de chapa. Ele está preocupado com o trabalho, com as contas, com a família, com o futebol, com a novela, com o noticiário e com os problemas do dia a dia.
Neste ano, ainda tivemos a Copa do Mundo ocupando boa parte das atenções.
Agora é que a eleição começa a entrar na vida do eleitor
Por isso, uma coisa é a campanha começar oficialmente. Outra coisa é a eleição entrar efetivamente na vida das pessoas.
E esse segundo momento tende a ganhar força a partir de 28 de agosto, quando começa a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.
Nem necessariamente por causa daqueles tradicionais blocos do horário eleitoral, que historicamente disputam a atenção do público com uma infinidade de outras opções.
O que coloca a eleição no cotidiano são principalmente as inserções.
É o eleitor assistindo à novela e aparece um candidato. Está acompanhando o futebol e aparece outro. Está vendo o jornal e entra uma propaganda. Está no carro, indo ou voltando do trabalho, ouvindo rádio, e começa a escutar os nomes, os números e as propostas.
É aí que a campanha começa a furar a bolha da política.
A partir daí, a eleição vai entrando nas conversas de casa, do trabalho, do bar, da família e dos amigos.
O eleitor começa a perceber: “Opa, tem eleição chegando e eu vou ter que escolher em quem votar.”
E quanto mais perto chega o dia 4 de outubro, maior é a pressão pela decisão.
Uma parcela do eleitorado acompanha política durante meses. Mas existe também aquele eleitor que deixa sua decisão para a reta final. É quando começa a comparar nomes, ouvir conhecidos, prestar atenção às campanhas e definir seu voto.
No Brasil, o voto continua obrigatório para os eleitores alfabetizados entre 18 e 70 anos. Para quem tem 16 ou 17 anos, para os maiores de 70 e para os analfabetos, o voto é facultativo.
Então podemos dizer que existem dois relógios diferentes nesta eleição.
O relógio dos políticos já está correndo faz tempo.
Agora começa a correr o relógio do eleitor.
A partir deste domingo, o pedido de voto está liberado. No dia 28, rádio e televisão entram definitivamente no jogo. E, dali em diante, a campanha vai ocupar cada vez mais espaço na vida do cidadão.
Agora, sim, começa aquela fase em que, usando uma expressão bem popular, o bicho pega.
Porque eleição não se ganha apenas dentro da política.
Eleição se ganha quando a política consegue chegar até quem não vive de política.





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