Debate em Tubarão levanta questão: até que ponto os confrontos podem influenciar a eleição em SC?

O segundo debate entre candidatos ao Governo de Santa Catarina voltou a colocar em discussão não apenas as propostas dos concorrentes, mas também uma questão que deverá acompanhar toda a campanha eleitoral: qual é o peso dos debates na definição do voto do catarinense?


O encontro realizado na noite desta segunda-feira (10), em Tubarão, teve um cenário diferente do primeiro debate da campanha. O governador Jorginho Mello (PL) não participou novamente, enquanto Gelson Merisio (PSB) também esteve ausente.

 

O Debate VOXX reuniu João Rodrigues (PSD), Ralf Zimmer (PRD), Marcelo Brigadeiro (Missão) e Laís Chaud (UP). Jorginho e Merisio também haviam sido convidados, mas não participaram.

 

A presença de um número maior de candidaturas em relação ao primeiro debate tem relação com os critérios adotados pela organização. Pela legislação eleitoral, é assegurada a participação nos debates de candidatos filiados a partidos com representação mínima de cinco parlamentares no Congresso Nacional. A participação dos demais pode ocorrer conforme as regras estabelecidas para cada encontro.

 

No caso de Tubarão, a organização adotou um critério mais abrangente e convidou os seis candidatos mais bem colocados nas pesquisas eleitorais. Dessa forma, o debate abriu espaço para candidaturas que não necessariamente teriam presença obrigatória assegurada apenas pela regra da representação parlamentar.

 

João Rodrigues, que já havia participado do primeiro confronto entre os candidatos ao Governo do Estado, reafirmou o compromisso de comparecer aos debates durante a campanha.

 

A decisão, porém, abre uma discussão política interessante.

 

Vale a pena estar em todos os debates?

 

A presença em debates permite ao candidato apresentar propostas, responder aos adversários e alcançar eleitores que ainda estão formando sua decisão.

 

Por outro lado, a configuração de cada encontro também interfere na dinâmica e no interesse político despertado pelo confronto.

 

No debate de Tubarão, as ausências de Jorginho Mello (PL) e Gelson Merisio (PSB) retiraram do palco dois nomes que ocupam espaço relevante na disputa pelo Governo do Estado.

 

Em determinado momento do encontro, a impressão transmitida por João Rodrigues era quase a de alguém se perguntando sobre o que estava fazendo ali. Evidentemente, todos os candidatos e todas as candidaturas precisam ser respeitados. Ralf Zimmer, Marcelo Brigadeiro e Laís Chaud têm o mesmo direito de apresentar suas propostas e buscar o voto dos catarinenses.

 

A questão aqui é outra: qual é o custo e qual é o benefício político para um candidato apontado entre os principais nomes da disputa participar de um debate sem a presença de seus adversários mais diretos?

 

A avaliação da Página Quatro é de que, neste momento, a disputa pelo Governo de Santa Catarina está concentrada principalmente em Jorginho Mello (PL), João Rodrigues (PSD) e Gelson Merisio (PSB).

 

É evidente que eleição não é uma ciência exata. A história política está cheia de exemplos de candidatos que começaram campanhas desacreditados, cresceram durante o processo eleitoral e acabaram surpreendendo nas urnas.

 

Mas, olhando para o cenário atual de Santa Catarina, seria necessária uma mudança bastante significativa no quadro eleitoral para retirar a disputa desse caminho.

 

Debate ainda muda voto?

 

A discussão vai além do encontro realizado em Tubarão.

 

Durante décadas, os debates televisionados estiveram entre os acontecimentos de maior repercussão das campanhas eleitorais. Havia eleições em que um desempenho ruim, uma frase ou um confronto entre candidatos era capaz de dominar o noticiário e interferir diretamente na campanha.

 

Hoje, o ambiente é diferente.

 

Os debates disputam a atenção do eleitor com redes sociais, vídeos curtos, entrevistas, podcasts, transmissões pela internet e conteúdos produzidos diariamente pelas próprias campanhas.

 

Isso não significa que tenham perdido importância.

 

Um bom desempenho pode produzir recortes que circulam durante dias nas redes sociais e alcançam um público muito maior do que aquele que acompanhou a transmissão ao vivo. Da mesma forma, uma frase mal colocada, uma resposta ruim ou um confronto desfavorável pode se transformar rapidamente em conteúdo compartilhado por milhares de pessoas.

 

Talvez esteja justamente aí uma das principais mudanças.

 

O impacto de um debate atualmente não precisa ocorrer necessariamente durante as duas ou três horas de transmissão. Muitas vezes, ele acontece depois, nos vídeos de poucos segundos que circulam pelo Instagram, Facebook, TikTok, WhatsApp e demais plataformas.

 

Ainda assim, depois de acompanhar o debate de Tubarão, fica uma pergunta.

 

João Rodrigues prometeu participar de todos os debates da campanha. É uma decisão que demonstra disposição para o confronto e para apresentar suas propostas. Mas será que, do ponto de vista estratégico, vale a pena participar de todos, independentemente de quem esteja do outro lado?

 

E há uma pergunta ainda maior para o eleitor catarinense:

 

os debates entre candidatos ainda têm capacidade para mudar votos e até definir uma eleição?

 

O calendário eleitoral ainda terá outros encontros e certamente novas oportunidades para que essa resposta comece a aparecer.