Aos avós, no seu dia. (artigo) Prof. Dr. Adelcio Machado dos Santos

Inicialmente, aá pessoas que atravessam o tempo sem perder a capacidade de acolher. Guardam nas mãos as marcas do trabalho, no rosto os sinais da experiência e, no coração, uma forma especial de amar. Assim são os avós: presença que une gerações, conserva memórias e oferece segurança mesmo quando tudo ao redor parece mudar depressa demais.

 

Destarte, celebrar o Dia dos Avós implicareconhecer a importância daqueles que ajudaram a construir o caminho que hoje percorremos. Antes de existirem os filhos e os netos, existiram suas lutas, escolhas, renúncias e esperanças. Cada família carrega um pouco da história de seus avós, ainda que nem sempre perceba. Está nos costumes, nas receitas, nas expressões repetidas, nos conselhos, nas tradições e nos valores transmitidos ao longo dos anos.

 

De outro vértice, os avós representam uma ponte entre o passado e o presente. Por meio de suas lembranças, conhecemos acontecimentos que não vivemos, pessoas que não encontramos e lugares que talvez já nem existam da mesma forma. Suas histórias ajudam a compreender de onde viemos e, muitas vezes, também nos orientam sobre onde queremos chegar.

 

Ouvir um avô ou uma avó contar sobre a infância, o trabalho, as dificuldades enfrentadas e as alegrias vividas é receber uma verdadeira aula de humanidade. São relatos que não estão apenas nos livros, porque foram escritos pela vida. Neles existem erros, acertos, perdas, superações e aprendizados que nenhuma teoria seria capaz de transmitir com a mesma força.

 

Entretanto, muitos avós viveram em épocas de menos recursos e maiores limitações. Conheceram o esforço diário para sustentar a família, o valor de cada conquista e a importância da solidariedade. Aprenderam a reaproveitar, dividir, esperar e agradecer. Em um mundo marcado pela pressa e pelo consumo, seus ensinamentos continuam necessários.

 

Por conseguinte, a relação entre avós e netos possui uma beleza particular. Há nela uma mistura de cuidado, paciência e cumplicidade. Os avós têm o dom de transformar pequenos momentos em lembranças inesquecíveis. Uma conversa na cozinha, um passeio, uma história antes de dormir, uma brincadeira ou um simples café compartilhado podem permanecer vivos na memória durante toda a existência.

 

Na casa dos avós, muitas vezes, o tempo parece seguir outro ritmo. Há espaço para ouvir com calma, repetir histórias, preparar o alimento preferido e perguntar como foi o dia. É um lugar onde o afeto costuma se manifestar por meio de gestos simples: um prato servido, uma preocupação, uma oração, um abraço demorado ou uma recomendação feita pela décima vez.

 

O carinho dos avós não se limita à infância. Mesmo quando os netos crescem, tornam-se adultos e seguem seus próprios caminhos, os avós continuam acompanhando suas vidas. Permanecem atentos às conquistas, às dificuldades, aos estudos, ao trabalho e à formação de novas famílias. Para eles, os netos podem crescer, mas nunca deixam completamente de ser crianças merecedoras de cuidado.

Também é preciso reconhecer a contribuição dos avós que assumem responsabilidades ainda maiores. Em muitas famílias, são eles que ajudam na criação dos netos, acompanham a rotina escolar, oferecem suporte emocional e, por vezes, sustentam a própria casa. Fazem isso com dedicação, mesmo quando o corpo já pede descanso.

 

Há avós que exercem simultaneamente o papel de pais, educadores, conselheiros e provedores. Sua presença permite que filhos e netos continuem trabalhando, estudando ou reconstruindo suas vidas. Esse apoio, muitas vezes silencioso, merece respeito, gratidão e reconhecimento não apenas em uma data comemorativa, mas durante todos os dias do ano.

Todavia, o envelhecimento não deve ser visto como um afastamento da vida. Ao contrário, a pessoa idosa continua tendo sonhos, opiniões, necessidades e muito a oferecer. Os avós não devem ser lembrados apenas por aquilo que fizeram no passado, mas também valorizados por quem são no presente.

 

Valorizar os avós é garantir que sejam ouvidos, respeitados e incluídos. É permitir que participem das decisões familiares, das celebrações e dos momentos cotidianos. É compreender que eles não desejam somente receber cuidados, mas também manter sua autonomia, sua dignidade e seus vínculos afetivos.

 

Em uma sociedade cada vez mais conectada por aparelhos, mas nem sempre por sentimentos, visitar, telefonar ou conversar com os avós torna-se um gesto de grande significado. Muitas vezes, o melhor presente não é algo comprado, mas a presença verdadeira. É sentar-se ao lado, escutar sem pressa e demonstrar interesse pelas histórias que eles ainda desejam contar.

 

A ausência dos avós também deixa marcas profundas. Quem já perdeu um avô ou uma avó sabe que certas lembranças passam a ter um valor ainda maior. A voz, o jeito de sorrir, o perfume da casa, uma frase repetida ou uma receita especial tornam-se tesouros guardados pela memória.

Mesmo quando já não estão fisicamente presentes, os avós permanecem naquilo que ensinaram e no amor que deixaram. Continuam vivendo nas atitudes dos filhos e netos, nos hábitos familiares e nas histórias contadas às novas gerações. Sua herança mais valiosa não costuma ser material, mas afetiva.

 

Por  conseguinte, o Dia dos Avós é também um convite à gratidão. É uma oportunidade de dizer palavras que, por vezes, são adiadas. De agradecer pelo cuidado, pelos conselhos, pelas orações, pelos exemplos e até mesmo pelas advertências que só mais tarde compreendemos.

Aos avós recebam, neste dia, não apenas homenagens, mas carinho sincero. Que possam sentir que suas vidas têm valor, que seus esforços foram reconhecidos e que sua presença faz diferença. Que sejam tratados com paciência, respeito e ternura.

 

Aos avós, nossa admiração por tudo o que construíram. Nossa gratidão pelas raízes que fortaleceram e pelos caminhos que ajudaram a abrir. Nosso reconhecimento por serem guardiões de histórias, conselheiros atentos e exemplos de perseverança.

 

Em epítome, nunca deve faltar braços para abraçá-los, ouvidos para escutá-los e corações dispostos a amá-los. E que cada família saiba aproveitar a oportunidade de conviver com seus avós, porque o tempo compartilhado com eles é um presente que nenhuma riqueza pode substituir.

 

Por final, a todos os avôs e avós, presentes ou eternizados na memória, nossa homenagem, nosso respeito e nosso mais profundo agradecimento. Feliz Dia dos Avós.

 

 Prof. Dr. Adelcio Machado dos Santos - Jornalista (MT/SC 4155)