Antes da polarização, o PL ajudou Lula na primeira vitória para a Presidência da República

A política tem uma dinâmica que, muitas vezes, faz os eleitores esquecerem como as coisas eram.


Hoje, PT (Partido dos Trabalhadores) e PL (Partido Liberal) protagonizam uma das maiores rivalidades da política brasileira. Mas nem sempre foi assim.

 

Antes de conquistar a Presidência da República pela primeira vez, Luiz Inácio Lula da Silva disputou quatro eleições presidenciais. Nas três primeiras, foi derrotado. Em 1989, teve como candidato a vice José Paulo Bisol (PSB). Em 1994, a chapa começou novamente com Bisol, que acabou substituído durante a campanha por Aloizio Mercadante (PT). Em 1998, Lula concorreu ao lado de Leonel Brizola (PDT), mas voltou a perder.

 

Depois de três derrotas consecutivas, Lula decidiu ampliar seu campo de alianças. Na eleição de 2002, em sua quarta candidatura à Presidência, escolheu como candidato a vice o empresário José Alencar, do PL. A decisão enfrentou resistência dentro do próprio PT, mas Lula manteve a escolha, apostando em uma composição que aproximasse setores da esquerda e do empresariado.

 

A estratégia deu resultado. Em 2002, Lula venceu pela primeira vez a eleição presidencial tendo José Alencar, do PL, como candidato a vice. Para quem critica os governos de Lula, vale lembrar um fato histórico: a primeira vitória do petista para a Presidência só aconteceu com essa aliança. Sem ela, o resultado poderia ter sido diferente. Foi a partir daquela vitória que Lula abriu caminho para mais quatro conquistas presidenciais do PT: sua reeleição em 2006, as vitórias de Dilma Rousseff em 2010 e 2014 e seu retorno ao Palácio do Planalto em 2022.

 

A história mostra como a política é dinâmica. Partidos que hoje são adversários já caminharam juntos em momentos decisivos. Alianças se formam e se desfazem conforme o contexto político de cada época.

 

Talvez por isso valha uma última reflexão: muitas vezes é mais importante analisar a trajetória, o caráter e as propostas de cada candidato do que apenas a sigla que ele representa. Partidos mudam ao longo do tempo. Pessoas têm nome, história e CPF.