Tarifaço dos EUA pode atingir quase 95% das exportações de Santa Catarina

A nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve ampliar significativamente os impactos sobre a economia catarinense. Levantamento da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) aponta que a medida atingirá 54,5% das exportações do Estado destinadas ao mercado norte-americano.


Somadas aos 40,3% das vendas que já estavam sujeitas às sobretaxas da chamada Seção 232, cerca de 94,8% das exportações catarinenses para os Estados Unidos passarão a enfrentar algum tipo de tarifa adicional, restando apenas 5,2% livres da cobrança.


O impacto deve ser maior em setores industriais com forte presença nas regiões Oeste, Serra e Planalto Norte. Segundo a FIESC, no primeiro ciclo de aumento das tarifas, as exportações catarinenses para os EUA caíram 38,2%, com uma estimativa de perda de aproximadamente 7,6 mil empregos.

 

Além da elevação das tarifas, a investigação norte-americana também abordou temas como comércio digital, plataformas tecnológicas, Pix, propriedade intelectual, combate à corrupção, etanol e desmatamento, indicando que a disputa ultrapassa o campo comercial e envolve questões regulatórias e diplomáticas.

 

Para a FIESC, o momento exige intensificação das negociações entre os governos para reduzir os impactos sobre a indústria catarinense e preservar a competitividade das empresas exportadoras.

 

Especialistas avaliam que, além da busca por uma solução diplomática, será importante ampliar a diversificação dos mercados de destino das exportações brasileiras, reduzindo a dependência de um único parceiro comercial e aumentando a segurança para o setor produtivo.

 

Reflexos na economia

 

A nova tarifa pode reduzir a competitividade dos produtos brasileiros nos Estados Unidos, pressionar as exportações e influenciar o câmbio, caso haja redução na entrada de dólares no país. O efeito, no entanto, dependerá também de fatores como a política de juros, o cenário fiscal e o fluxo de investimentos estrangeiros.


Enquanto isso, o mercado financeiro segue projetando inflação de 5,16% em 2026, Selic em 14% ao ano, crescimento do PIB de 1,99% e dólar em R$ 5,20, embora essas estimativas ainda não considerem integralmente os efeitos do novo tarifaço norte-americano.