Comissão da Alesc reforça monitoramento do El Niño e alerta para importância da prevenção

A Comissão Mista do El Niño da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) voltou a se reunir nesta terça-feira (14) para acompanhar a evolução do fenômeno climático no Estado. Durante a reunião, o meteorologista Leandro Puchalski apresentou uma atualização do cenário e afirmou que o El Niño está em processo de intensificação, com previsão de atingir forte intensidade nos próximos meses.


Segundo Puchalski, as águas da região central do Oceano Pacífico, onde o fenômeno é monitorado, aqueceram rapidamente nas últimas semanas, elevando a classificação do El Niño de moderado para forte. A expectativa é de que o pico ocorra entre setembro e outubro, período historicamente associado ao aumento das chuvas no Sul do Brasil.

 

Prevenção é decisiva


Apesar do cenário de atenção, o meteorologista destacou que a intensidade do El Niño, por si só, não determina a ocorrência de tragédias climáticas.

 

“Uma coisa é o fenômeno e sua influência sobre o clima. Outra são os problemas que ele pode causar. O El Niño aumenta a frequência de eventos extremos, mas isso não significa que necessariamente haverá desastres. Muito depende das condições meteorológicas do momento e, principalmente, da preparação das regiões”, afirmou.


Durante a apresentação, Puchalski lembrou que outros fatores atmosféricos também influenciam o comportamento das chuvas, como a Oscilação Madden-Julian e a Oscilação Antártica.

 

“Quando esses sistemas atuam simultaneamente ao El Niño, há maior potencial para episódios de chuva intensa”, explicou.

Primeiros impactos no Rio Grande do Sul


As projeções apresentadas à comissão indicam que os primeiros efeitos mais expressivos do fenômeno devem ocorrer nas próximas semanas no Rio Grande do Sul, com previsão de elevados volumes de chuva e temporais.Em Santa Catarina, segundo o meteorologista, o cenário permanece mais estável neste momento, mas exige acompanhamento permanente.


“A previsão de curto prazo indica que os maiores volumes de chuva devem se concentrar inicialmente no Rio Grande do Sul. Em Santa Catarina, a expectativa é de que as chuvas avancem mais adiante, provavelmente após a segunda quinzena de julho, mas ainda com volumes menores. Mesmo assim, é uma situação que precisa ser monitorada continuamente”, afirmou.


Crédito: Texto: Simone Sartori | Foto: Daniel Conzi/Agência Alesc.