O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC) instaurou uma investigação sigilosa para apurar um suposto plano de atentado contra a desembargadora Cinthia Bittencourt Schaefer, responsável pela relatoria da Operação Mensageiro, considerada uma das maiores ações de combate à corrupção já realizadas no Estado.
A informação veio à tona após o Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional (NIS) do Tribunal receber relatos sobre uma possível ameaça contra a magistrada. Diante da gravidade da situação, o Judiciário catarinense abriu um procedimento interno para apurar os fatos e reforçou a segurança da desembargadora.
Segundo informações divulgadas inicialmente pelo colunista Ânderson Silva, da NSC, a suspeita surgiu após comentários feitos dentro do sistema prisional por um dos investigados presos na Operação DNA do Crime, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) no último dia 2 de junho. A ação é um desdobramento da sexta fase da Operação Mensageiro e teve como alvo empresários e pessoas ligadas ao setor de coleta e destinação de resíduos urbanos.
De acordo com as informações apuradas, o suposto plano teria sido mencionado como uma forma de represália às decisões judiciais que resultaram em prisões e outras medidas cautelares autorizadas pela desembargadora. As autoridades, porém, não divulgaram detalhes sobre a investigação, tampouco confirmaram a existência de uma ameaça concreta.
Em nota, o Tribunal de Justiça informou que não irá se manifestar sobre o caso por envolver procedimento sigiloso. O objetivo é preservar o andamento das investigações e evitar qualquer interferência na apuração.
Relatora da maior investigação de corrupção municipal em SC
Cinthia Schaefer é a magistrada responsável pela condução dos processos da Operação Mensageiro desde o início da investigação, em dezembro de 2022. A operação revelou um esquema de pagamento de propinas envolvendo contratos de coleta de lixo em diversas cidades catarinenses.
Ao longo das seis fases da investigação, foram cumpridos 316 mandados de busca e apreensão, realizadas 45 prisões preventivas e instauradas ações penais contra dezenas de agentes públicos e empresários. Entre os presos estiveram 17 prefeitos catarinenses em exercício, fato sem precedentes na história política recente do Estado.
Os investigados negam irregularidades e muitos dos processos ainda tramitam na Justiça.
Caso aumenta tensão nos bastidores do Judiciário
O suposto plano de atentado reforça o clima de tensão em torno das investigações que envolvem contratos milionários de coleta de lixo e organizações empresariais investigadas por corrupção e fraude em licitações. Embora não haja confirmação oficial sobre a autoria ou a efetiva execução da ameaça, o simples fato de o Tribunal ter determinado reforço na segurança da magistrada demonstra a preocupação das autoridades com a situação.





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