CNI e Fiesc pedem que debate sobre fim da escala 6x1 fique para depois das eleições

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, defendeu que a discussão sobre a proposta de redução da jornada de trabalho da escala 6x1 para 5x2 seja aprofundada e retirada do ambiente eleitoral. A manifestação ocorreu nesta sexta-feira (19), durante a entrega da Medalha do Mérito Industrial, em Santa Catarina.


Segundo Alban, a entidade não é contrária ao debate, mas considera inadequado que uma mudança dessa magnitude seja conduzida em meio ao período pré-eleitoral.

 

“Não queremos deixar de discutir o assunto, mas precisamos sair do oportunismo eleitoral”, afirmou.

 

O presidente da CNI destacou que um dos principais pontos de preocupação é o prazo previsto para adaptação das empresas. Conforme ele, o texto em discussão prevê apenas 60 dias para implementação das mudanças, período considerado insuficiente para reorganização dos processos produtivos e realização de investimentos em automação e ganho de produtividade.


Alban também alertou para possíveis reflexos econômicos da medida. Na avaliação dele, a redução da jornada poderá provocar aumento de custos e impactar os preços ao consumidor.

 

Segundo estimativas apresentadas pelo dirigente, os reajustes poderiam variar entre 6% e 8% em diversos setores da economia.

 

Já o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Gilberto Seleme, classificou a proposta como uma discussão superficial e afirmou que o tema exige uma análise mais ampla sobre produtividade e competitividade.

 

Para ele, a eventual redução da jornada por meio de lei pode trazer consequências para empresas, trabalhadores e para a economia brasileira como um todo.

 

Seleme argumentou ainda que a maioria dos trabalhadores brasileiros já atua em jornadas inferiores ao limite legal de 44 horas semanais. De acordo com os dados citados pelo dirigente, a jornada média no país é de 38,4 horas por semana, enquanto aproximadamente 14 milhões de brasileiros cumprem atualmente a carga máxima prevista na legislação.

 

O presidente da Fiesc também lembrou que a última grande redução da jornada ocorreu na Constituição de 1988, quando a carga horária semanal passou de 48 para 44 horas.

 

A proposta de mudança da escala 6x1 para 5x2 segue em discussão no Congresso Nacional e tem provocado forte debate entre representantes dos trabalhadores, empresários e parlamentares. Enquanto defensores argumentam que a medida pode melhorar a qualidade de vida dos empregados, entidades empresariais alertam para possíveis impactos sobre custos, produtividade e geração de empregos.