A Câmara de Vereadores de Joinville decidiu nesta segunda-feira (8) cassar o mandato do vereador Cleiton Profeta (PL) após a conclusão de um processo disciplinar por quebra de decoro parlamentar. A votação foi marcada por clima de tensão, discursos contundentes e forte mobilização política dentro e fora do plenário.
O resultado foi definido por 13 votos favoráveis à cassação, dois contrários e três abstenções. O número atingiu exatamente o mínimo necessário para a perda do mandato, equivalente a dois terços da composição da Câmara.
A decisão encerra oficialmente um processo que tramitava há vários meses no Legislativo joinvilense e que teve ampla repercussão política no município.
Relatório recomendou a cassação
A cassação teve como base o parecer elaborado pelo relator da Comissão Processante, vereador Érico Vinicius (Novo), que concluiu pela procedência da denúncia e recomendou a aplicação da penalidade máxima prevista para casos de quebra de decoro parlamentar.
Segundo o relatório, as condutas atribuídas ao vereador comprometeriam a imagem da Câmara e a confiança da população no Poder Legislativo.
Entre os fatos analisados estavam acusações de ofensas a colegas vereadores, tumultos em sessões legislativas, ataques pessoais, declarações consideradas ofensivas e episódios envolvendo o vereador Henrique Deckmann (MDB).
O documento também apontou que os episódios investigados não seriam casos isolados, mas parte de um comportamento considerado recorrente ao longo dos últimos meses.
Defesa alegou perseguição política
Antes da votação, Cleiton Profeta ocupou a tribuna para fazer sua defesa e voltou a afirmar que era alvo de perseguição política.
Em um discurso marcado por críticas aos integrantes da comissão e a adversários políticos, o vereador contestou as acusações e questionou a condução do processo.
Apesar da manifestação da defesa, a maioria dos parlamentares acompanhou o parecer da Comissão Processante e votou pela cassação.
A defesa informou que pretende recorrer à Justiça para tentar anular o processo e buscar o retorno do parlamentar ao cargo.
Suplente assume a vaga
Com a perda do mandato, a cadeira passa a ser ocupada pelo suplente Cassiano Ucker (PL), que recebeu 3.017 votos nas eleições municipais de 2024.
A posse deverá ocorrer após os procedimentos formais previstos pelo Legislativo de Joinville.
Como votaram os vereadores
Votaram pela cassação (13):
Votaram contra a cassação (2):
Abstenções (3):
Com a decisão, a Câmara de Joinville encerra um dos processos disciplinares mais polêmicos e acompanhados da atual legislatura. A disputa, no entanto, deve continuar nos tribunais, onde a defesa pretende questionar a legalidade da cassação.





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