A crise envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ganhou novos capítulos nos últimos dias após a saída de um dos principais advogados criminalistas do país da defesa do empresário e a rejeição da proposta de delação premiada apresentada à Polícia Federal (PF).
José Luis Oliveira Lima, conhecido como “Juca”, deixou oficialmente a defesa de Vorcaro nesta sexta-feira (22). Segundo informações divulgadas pelo blog da jornalista Andréia Sadi, do g1, a decisão ocorreu “de comum acordo”.
A saída do advogado ocorre justamente na mesma semana em que a Polícia Federal rejeitou a proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro no âmbito das investigações da Operação Compliance Zero.
Mesmo com a negativa da PF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda pode analisar individualmente eventual acordo de colaboração.
Considerado um dos criminalistas mais conhecidos do Brasil, Juca possui histórico de atuação em acordos de delação premiada em grandes operações nacionais, incluindo casos ligados à Lava Jato. A entrada dele na defesa de Vorcaro, em março deste ano, já havia sido interpretada nos bastidores políticos e jurídicos de Brasília como um movimento estratégico para tentativa de negociação de colaboração premiada.
Agora, a saída do advogado amplia as interpretações de desgaste na estratégia jurídica adotada pelo banqueiro.
Outro ponto que chamou atenção nos últimos dias foi a situação prisional de Vorcaro. O empresário chegou a ser transferido para uma cela comum da Polícia Federal em Brasília após decisão relacionada às condições de custódia.
Posteriormente, porém, a defesa conseguiu autorização judicial para o retorno do banqueiro a uma sala especial dentro da estrutura da Polícia Federal.
Segundo reportagens nacionais, investigadores teriam avaliado que a proposta de delação apresentada por Vorcaro omitia informações consideradas relevantes e evitava atingir figuras políticas vistas como centrais nas investigações.
A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de crimes financeiros, lavagem de dinheiro, corrupção e relações entre operadores financeiros, empresários e agentes políticos.
Nos bastidores de Brasília, a avaliação é de que o caso entrou em uma fase mais delicada para o banqueiro, especialmente diante da combinação entre o fracasso inicial da delação, o avanço das investigações e a saída de um dos principais nomes de sua defesa criminal.
Foto: Agência Brasil / Bruno Peres





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