As investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI da Prefeitura) de Joaçaba revelaram um novo aumento no volume de recursos públicos supostamente desviados das contas da administração municipal. Documentos recebidos pelos vereadores integrantes da comissão apontam que as transferências para contas pessoais do então tesoureiro da prefeitura já somam quase R$ 8,5 milhões.
As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (21) pelo relator da CPI, vereador Jean Calza, após a chegada de novos documentos enviados pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil.
Segundo a comissão, a maior parte das transferências ocorreu por meio de contas vinculadas à Caixa. O restante teria sido movimentado por contas do Banco do Brasil.
“Inicialmente, as suspeitas eram de desvios na ordem de R$ 1 milhão. Depois, a CPI identificou movimentações superiores a R$ 4 milhões. Agora, os documentos revelam um montante que ultrapassa R$ 8 milhões”, afirmou o relator.
A CPI investiga possíveis falhas administrativas e de controle interno que possam ter permitido que valores saíssem diretamente das contas da Prefeitura de Joaçaba para contas pessoais do ex-tesoureiro do município, exonerado após a abertura das investigações pelo Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE-SC), em dezembro de 2025.
Além da CPI, o caso também é alvo de investigação do Ministério Público e da Polícia Civil.
Senhas vinculadas aos prefeitos
Um dos pontos que mais chama atenção nas investigações envolve o uso de senhas vinculadas aos gestores municipais para autorizar as movimentações financeiras.
Durante oitivas realizadas pela comissão, tanto o atual prefeito quanto o ex-prefeito de Joaçaba afirmaram desconhecer a existência de senhas em seus nomes utilizadas para efetivar as transferências.
Segundo Jean Calza, grande parte das operações foi registrada justamente com credenciais vinculadas aos gestores.
Apesar disso, o relator afirmou que, até o momento, os indícios apontam para uma atuação isolada do então tesoureiro. Ainda assim, a comissão não descarta a possibilidade de envolvimento de outras pessoas no esquema.
Relatório final deve sair em junho
O relatório final da CPI está em fase de elaboração e deve ser apresentado no fim de junho.
Os vereadores Jean Calza, Diego Bairros e Ricardo Menezes trabalham agora na consolidação dos documentos bancários, depoimentos e movimentações financeiras para encaminhamento aos órgãos de controle e investigação.
TJ mantém prisão domiciliar
Na última terça-feira (19), o Tribunal de Justiça de Santa Catarina manteve a decisão que colocou o investigado em prisão domiciliar com monitoramento eletrônico.
O Ministério Público havia recorrido da decisão, pedindo prisão preventiva, mas o TJ-SC entendeu que as medidas cautelares atualmente impostas são suficientes, neste momento, para garantir o andamento das investigações.





Recebe nossa publicações direto no seu email!