PF rejeita delação de Daniel Vorcaro e crise amplia pressão sobre investigação que envolve Banco Master, PGR e aliados políticos

A Polícia Federal rejeitou oficialmente a proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, preso desde março deste ano por suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro nacional.

 

A decisão foi comunicada aos advogados de Vorcaro nesta quarta-feira (20) e representa um novo agravamento da crise política e jurídica que se formou em torno das investigações envolvendo o banqueiro — especialmente após a divulgação de áudios que mostram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pedindo recursos financeiros para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

 

Segundo informações divulgadas por veículos nacionais, a Polícia Federal considerou os relatos apresentados por Vorcaro “seletivos” e insuficientes para avançar nas investigações. A avaliação interna é de que episódios relevantes e nomes importantes teriam ficado de fora da colaboração negociada até o momento.

 

PGR ainda pode manter negociação

 

Apesar da negativa da Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda pode seguir negociando um acordo de colaboração premiada diretamente com Vorcaro.

 

Nos bastidores de Brasília, investigadores avaliam que a disputa em torno da delação se transformou em um jogo de pressão política e institucional. A expectativa é que novas revelações possam atingir setores do sistema financeiro, operadores políticos e parlamentares ligados ao núcleo conservador nacional.

 

Transferência para cela comum aumenta tensão

 

Outro fato que chamou atenção nesta semana foi a transferência de Vorcaro para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.

 

Antes, o banqueiro estava em uma sala com características semelhantes à chamada “sala de Estado-maior”, modelo utilizado anteriormente para custodiar o ex-presidente Jair Bolsonaro entre novembro de 2025 e janeiro deste ano.

 

A mudança foi interpretada por interlocutores da investigação como um sinal claro de endurecimento da postura da Polícia Federal diante das negociações frustradas.

 

Ciro Nogueira aparece em apuração

 

As reportagens nacionais também apontam que um dos episódios recentes que aumentaram o desgaste entre investigadores e Vorcaro envolve o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas.

 

De acordo com as investigações, o parlamentar teria recebido “vantagens indevidas” relacionadas ao antigo controlador do Banco Master — fato que, segundo investigadores, não havia sido incluído inicialmente na proposta de colaboração apresentada pelo banqueiro.

 

Áudios envolvendo Flávio Bolsonaro ampliaram repercussão

 

A crise ganhou dimensão nacional após a divulgação de mensagens de áudio atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro, nas quais ele solicita recursos financeiros a Vorcaro para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro.

 

O caso já havia provocado desgaste político na pré-campanha presidencial do PL e levou inclusive a mudanças no comando da comunicação da campanha bolsonarista na tentativa de conter os danos da crise.

 

Agora, com a rejeição da delação pela Polícia Federal, o cenário aumenta ainda mais a tensão sobre os desdobramentos da investigação e os possíveis impactos políticos em Brasília.