Um projeto de lei apresentado pela deputada federal Ana Paula Lima (PT-SC) coloca no centro do debate nacional a atuação de agentes de segurança pública nas redes sociais, especialmente em períodos eleitorais.
A proposta estabelece diretrizes para o uso de perfis pessoais por integrantes de forças como Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, com foco na preservação da neutralidade institucional. Pelo texto, as corporações terão prazo de 180 dias para criar normas internas que regulamentem a conduta digital de seus agentes.
Foco nos “policiais influenciadores”
Um dos pontos centrais do projeto é o enfrentamento do fenômeno dos chamados “policiais influenciadores” — agentes que utilizam fardas, viaturas ou símbolos oficiais para produzir conteúdo nas redes sociais, muitas vezes com forte viés político.
A proposta busca restringir esse tipo de exposição quando houver risco de associação entre a imagem institucional das corporações e manifestações político-partidárias. A preocupação é evitar que estruturas de Estado sejam utilizadas, ainda que indiretamente, para influenciar o debate público e eleitoral.
Período eleitoral no radar
O texto dá atenção especial aos períodos eleitorais, quando a atuação de agentes públicos é submetida a regras mais rígidas. A iniciativa dialoga com princípios já previstos na legislação, como a impessoalidade e a moralidade administrativa, mas tenta preencher lacunas no ambiente digital, que cresceu sem regulamentação específica nos últimos anos.
Debate jurídico e político
A proposta tende a enfrentar resistência. De um lado, há o argumento de que policiais, como qualquer cidadão, têm direito à liberdade de expressão. De outro, especialistas em direito público apontam que a função exercida por esses profissionais exige limites adicionais, justamente para garantir a confiança da sociedade nas instituições.
Nos bastidores, o tema também é político. O crescimento de perfis de agentes de segurança com forte presença digital — muitos deles alinhados a correntes ideológicas — já teve impacto direto em disputas eleitorais recentes, seja na formação de opinião, seja na mobilização de eleitores.
Próximos passos
O projeto ainda precisa passar pelas comissões temáticas da Câmara dos Deputados antes de ir a plenário. A tramitação deve provocar audiências públicas e ampliar o debate sobre os limites entre liberdade individual e responsabilidade institucional no ambiente digital.





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