Novo Desenrola Brasil é lançado com promessa de desconto médio de 65% nas dívidas

O governo federal lançou nesta segunda-feira (4) o Novo Desenrola Brasil, uma nova versão do programa voltado à renegociação de dívidas de famílias com bancos e empresas. A iniciativa foi oficializada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por meio de medida provisória assinada no Palácio do Planalto.


A proposta é reduzir o nível de endividamento no país, com expectativa de oferecer desconto médio de 65% nas dívidas. Na prática, segundo a equipe econômica, os abatimentos podem variar entre 30% e 90%, dependendo do tipo de débito e da negociação.


A adesão ao programa começa nesta terça-feira (5).

 

Quem pode participar e quais dívidas entram

 

O programa é voltado principalmente para pessoas com renda de até R$ 8,1 mil mensais, dentro da modalidade chamada Desenrola Famílias.

 

Podem ser incluídas dívidas atrasadas entre 90 dias e dois anos, como:

– cartão de crédito
– cheque especial
– crédito pessoal
– contas com empresas de serviços

 

A renegociação poderá ser feita diretamente com os credores, com limite de juros de até 1,99% ao mês e prazo de pagamento de até 48 meses.

 

Uso do FGTS e novas regras


Entre as novidades da versão 2026 está a possibilidade de usar parte do saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para abater dívidas.

Na prática, será permitido utilizar:

– até 20% do saldo da conta
– limite de até R$ 1 mil


Além disso, o governo prevê mudanças no acesso ao crédito consignado do INSS, como forma de ampliar as alternativas para quitar débitos.


Outro ponto incluído no programa é o bloqueio do uso de recursos provenientes de apostas digitais (bets) para pagamento de dívidas renegociadas.

 

Impacto econômico e estratégia política


O governo trata o Desenrola como uma das principais ferramentas para estimular o consumo interno e aliviar o orçamento das famílias.

 

A avaliação da equipe econômica é de que a redução do endividamento pode destravar o crédito e impulsionar a economia, especialmente entre as faixas de renda mais baixas.


O programa também ganha peso político ao entrar na agenda de prioridades do governo mirando o cenário das eleições de 2026.

 

Discurso do presidente


Durante o lançamento, Lula criticou o alto número de brasileiros negativados e defendeu o programa como instrumento de reinclusão econômica.


Segundo ele, o endividamento acaba empurrando parte da população para a informalidade e para alternativas fora do sistema financeiro.

— O mercado transforma esse cidadão num clandestino. Ele não consegue comprar a crédito, não consegue ter conta em banco — afirmou.