O episódio desta semana dentro do PSD de Santa Catarina acabou produzindo exatamente o efeito contrário ao que alguns imaginavam. Aquilo que começou como um ruído político — alimentado por desentendimentos em um grupo de WhatsApp e interpretações apressadas — terminou servindo para consolidar ainda mais a pré-candidatura do prefeito de Chapecó, João Rodrigues, ao governo do Estado.
Na quinta-feira à tarde, o ex-governador Jorge Bornhausen concedeu entrevista afirmando que João Rodrigues não seria mais o candidato do PSD. A declaração gerou repercussão política e abriu uma crise interna dentro do partido.
Mas a resposta veio rápido.
Na manhã seguinte, em entrevista coletiva realizada em Chapecó, o presidente estadual do PSD, Eron Giordani, apareceu ao lado de João Rodrigues e de diversas lideranças políticas para encerrar o assunto: o prefeito chapecoense permanece como pré-candidato ao governo de Santa Catarina.
Mais do que isso. O partido decidiu reagir politicamente ao que considera uma incoerência interna.
Um dos pontos que motivaram a crise foi a posição do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, que afirmou publicamente que permaneceria no PSD, mas que apoiaria a candidatura à reeleição do governador Jorginho Mello.
Para João Rodrigues, a situação era insustentável. Não faz sentido manter um projeto estadual enquanto o prefeito da capital — eleito com forte apoio do partido e com parcela significativa do fundo eleitoral — trabalha politicamente para outro candidato.
O recado foi claro: se Topázio pretende apoiar outro projeto político, o caminho natural é deixar o PSD.
Diante disso, a executiva estadual do partido se reúne na próxima segunda-feira e um dos pontos da pauta será justamente a abertura de um processo de expulsão do prefeito da capital. Um movimento que pode até mesmo ser amenizado caso o próprio Topázio Neto se antecipe e peça uma licença ou até mesmo a desfiliação do partido.
Mas há três fatores que ajudam a explicar por que João Rodrigues saiu ainda mais fortalecido desse episódio.
Primeiro, a convicção política do próprio João de que tem condições reais de disputar e vencer a eleição.
Segundo, o respaldo direto do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que teria dado carta branca para que João Rodrigues e Eron Giordani conduzam o projeto eleitoral do partido em Santa Catarina.
E terceiro, um elemento que pode redesenhar o cenário político nacional: uma conversa com o governador do Paraná, Ratinho Júnior, que se prepara para lançar sua candidatura à presidência da República pelo PSD e que vê em João Rodrigues o nome capaz de construir um palanque forte no Estado.
No fim das contas, o que parecia ser o início de uma crise dentro do PSD terminou funcionando como um teste de força política.
Se havia alguma dúvida dentro do PSD — ou mesmo no cenário político catarinense — ela praticamente desapareceu nesta semana.
João Rodrigues sai da crise maior do que entrou — e segue candidatíssimo ao governo de Santa Catarina.






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